O Ministério Público do Ceará (MPCE) ofereceu denúncia contra Fernando Rocha Filho e Walter Almeida da Rocha Neto, dois irmãos envolvidos em uma briga generalizada com três jogadores de futebol argentinos que atuavam no Fortaleza Esporte Clube. Os crimes imputados incluem invasão de domicílio, injúria racial, ato obsceno e vias de fato (tapas e empurrões). Fernando Rocha Filho foi denunciado por invasão de domicílio e injúria racial; Walter Almeida da Rocha Neto responde por invasão de domicílio, injúria, ato obsceno e vias de fato.
Defesa dos irmãos contesta denúncia
Em nota, a defesa dos irmãos afirmou que “a denúncia acaba beneficiando uma narrativa que busca justificar o injustificável: a lesão gravíssima sofrida por um dos irmãos, inclusive por meio da imputação de injúria racial, acusação que não corresponde à realidade dos fatos e será amplamente contestada ao longo da instrução processual”. A defesa complementou que “demonstrará a inocência de seus clientes com fundamento não apenas nos elementos informativos já produzidos durante o inquérito, mas também nas provas que serão produzidas em juízo, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, confiando que, ao final, a verdade dos fatos prevalecerá”.
Briga em condomínio de luxo no Eusébio
O caso ocorreu no dia 1º de janeiro de 2026, em um condomínio de luxo no Eusébio, região metropolitana de Fortaleza. Imagens de câmeras de segurança registraram a briga generalizada, que envolveu os dois irmãos e os atletas argentinos Herrera, Tomás Pochettino e Eros Mancuso. Na denúncia, o MP detalhou que Fernando Rocha, ao entrar no imóvel dos jogadores sem autorização, “passou a externar comportamento manifestamente agressivo e provocativo”, dirigindo “expressões injuriosas e de conteúdo xenofóbico, notadamente contra os indivíduos de nacionalidade argentina”, utilizando termos como “argentino de merda”, “rebaixados”, “mercenários” e “filhos da puta”.
Participação de Walter e ato obsceno
O Ministério Público alegou que a participação de Walter Almeida foi substancial para a escalada das agressões verbais para vias de fato. “A conduta […] desencadeou imediata e acentuada escalada do conflito, até então restrito a discussões e hostilidades verbais, convertendo-o em confronto físico generalizado entre os presentes”, diz a denúncia. Mesmo após o confronto principal parecer dissipado, Walter voltou a investir contra o imóvel, proferindo novos atos de violência e tentando atingir os presentes, inclusive desferindo golpes com uma toalha contra uma mulher ainda não identificada e contra José Maria Herrera. Walter foi denunciado por ato obsceno por estar vestindo apenas uma cueca durante a briga. Ele argumentou que havia urgência para socorrer o irmão, mas o MP contra-argumentou que ele teve tempo de registrar em vídeo os acontecimentos.
Ex-jogador Herrera denunciado por lesão grave e injúria racial
Em outro processo, o ex-jogador do Fortaleza José Maria Herrera Ares foi denunciado pelo MPCE pelos crimes de lesão corporal grave e injúria racial. Herrera deixou o clube para jogar pelo RB Bragantino no fim de janeiro deste ano. A defesa do atleta não foi localizada para comentar a denúncia. Segundo o MP, em determinado momento da briga, Herrera conseguiu imobilizar um dos vizinhos e “passou a desferir-lhe sucessivos golpes, extrapolando manifestamente os limites de uma eventual reação defensiva”. Ele mordeu o nariz da vítima, causando lesões de natureza gravíssima, consistentes em deformidade permanente e prejuízo na respiração. Além disso, durante a briga, Herrera chamou os vizinhos de “brasileiro de m*” e “brasileiros filhos da p*”, configurando injúria racial. O MP também pediu à Justiça que o atleta pague, no mínimo, R$ 5 mil de indenização por danos materiais, morais e psicológicos, e R$ 45 mil devido à gravidade das lesões.
Pochettino não foi denunciado
O MP decidiu não denunciar o jogador Tomás Pochettino, por entender que ele agiu em legítima defesa.



