O Brasil registrou queda na taxa de analfabetismo, mas os números ainda revelam desafios estruturais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais caiu de 6,1% em 2019 para 5,6% em 2023. No entanto, a redução não foi homogênea, e desigualdades regionais, raciais e etárias persistem.
Desigualdades regionais e raciais
O Nordeste continua com a maior taxa de analfabetismo do país, atingindo 11,2% da população adulta, enquanto o Sudeste apresenta apenas 2,9%. Entre a população preta e parda, a taxa é de 7,4%, mais que o dobro da registrada entre brancos (3,0%). Esses números indicam que a universalização da educação básica ainda não foi alcançada.
Analfabetismo entre idosos
Outro dado preocupante é o analfabetismo entre idosos. Na faixa etária de 60 anos ou mais, a taxa chega a 15,4%, ou seja, mais de um em cada sete idosos não sabe ler ou escrever. Esse grupo representa 40% do total de analfabetos do país. A falta de políticas específicas para a alfabetização de adultos e idosos agrava o problema.
Segundo Cláudio Considera, ex-presidente do conselho da Proteste Associação de Consumidores e professor de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), “a queda do analfabetismo é positiva, mas os dados mostram que o Brasil precisa de políticas mais focadas para reduzir as desigualdades históricas”.
Impactos na economia e cidadania
O analfabetismo tem impactos diretos na empregabilidade e na renda. Pessoas analfabetas têm menos acesso a empregos formais e ganham, em média, 40% menos que aquelas com ensino fundamental completo. Além disso, a exclusão digital se torna mais grave, já que muitas atividades cotidianas exigem leitura e escrita.
O IBGE também aponta que 11,4 milhões de brasileiros ainda são analfabetos. Desse total, 60% vivem no Nordeste e 70% têm mais de 40 anos. A estagnação na redução do analfabetismo funcional (pessoas que sabem ler, mas não compreendem textos) também preocupa: 29% da população adulta se enquadra nessa categoria.
Desafios para o futuro
Especialistas defendem a necessidade de ampliar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e criar programas de alfabetização integrados a políticas de geração de emprego e renda. A meta do Plano Nacional de Educação (PNE) é erradicar o analfabetismo até 2024, mas o país está longe de atingi-la. Para Considera, “é preciso investir em educação continuada e em tecnologia assistiva para incluir os mais velhos”.



