O músico e compositor alagoano Hermeto Pascoal (22 de junho de 1936 – 13 de setembro de 2025) faria 90 anos nesta segunda-feira, 22 de junho. Excepcional multi-instrumentista, arranjador e compositor, Hermeto simbolizou a música em permanente estado de criação. O Bruxo exercitava a magia da criação musical em cena, ao vivo, sem seguir roteiros pré-estabelecidos.
A música no aqui e agora
Hermeto nunca sabia o que ia tocar quando era chamado ao palco. Para ele, a música surgia na pauta instantânea do aqui e agora. Extraía sons e fazia música com qualquer objeto ao alcance: uma chaleira, uma bacia, ou até mesmo um porco cujo ronco soava como música. Sua visão aguçada e sensorial, potencializada pelo albinismo, o fez enxergar que tudo podia ser música. A música estava na natureza, no sopro dos ventos, no correr dos rios, nos mistérios das matas.
Trajetória e transformação
Hermeto partiu dos gêneros nordestinos rotulados como forró – início natural para quem nasceu no sertão alagoano e começou tocando sanfona em grupos nordestinos – até chegar ao jazz. O ponto de mutação foi sua participação em 1967 no Quarteto Novo, ao lado do percussionista Airto Moreira, do guitarrista Heraldo do Monte e do violonista Theo de Barros. A partir daí, Hermeto se transformou no artista que passou para a posteridade.
Discografia essencial
Esse artista está perpetuado em álbuns como Hermeto (1970), A música livre de Hermeto Pascoal (1973), Slaves mass (1977) e Cérebro magnético (1980). No título do disco de 1973 reside o único adjetivo que parece caber na música livre de Hermeto: o músico jamais se deixou amarrar por conceitos, escalas e combinações.
Legado
Hermeto Pascoal nunca se deixou aprisionar pelas cifras das pautas musicais, pela prévia combinação dos ensaios ou pelo padrão. Criava ao vivo o som que, em sua mente livre, já nascia universal. Derrubou fronteiras com a liberdade da criação, transcendendo gêneros e movimentos como um gênio indomável. Nunca houve alguém como Hermeto Pascoal no universo musical, e tampouco haverá.



