Mais da metade das famílias brasileiras raramente participam de atividades educacionais com seus filhos pequenos, como leitura e contagem de histórias, segundo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O dado revela que a desigualdade educacional no Brasil se instala já na primeira infância, muito antes do ingresso na escola formal.
Famílias distantes da educação infantil
A pesquisa da OCDE mostra que 52% das famílias brasileiras com crianças de até 5 anos não realizam atividades como leitura, contação de histórias ou jogos educativos com frequência. Esse percentual é superior à média dos países membros da OCDE, que gira em torno de 30%. O estudo aponta que o nível socioeconômico é um fator determinante: famílias de baixa renda têm menos acesso a livros infantis e tempo disponível para interações educativas.
“A baixa prevalência da leitura com as crianças pequenas é uma das formas como a desigualdade se instala”, afirma o relatório. “O desenvolvimento infantil vai além da escola e depende fortemente do ambiente familiar.”
Impactos no desenvolvimento infantil
A falta de estímulo precoce afeta o desenvolvimento cognitivo, linguístico e socioemocional das crianças. Estudos anteriores já demonstraram que crianças expostas a leitura e contagem desde cedo apresentam melhor desempenho escolar futuramente. A OCDE destaca que a diferença de vocabulário entre crianças de famílias de alta e baixa renda já é significativa aos 3 anos de idade.
No Brasil, a situação é agravada pela desigualdade de acesso a creches e pré-escolas de qualidade. Muitas crianças de baixa renda dependem exclusivamente do ambiente familiar para estímulos educativos, o que raramente ocorre.
Políticas públicas necessárias
O estudo sugere que políticas públicas integrem famílias e professores para promover interações educativas cotidianas. Programas de visitação domiciliar, distribuição de livros infantis e campanhas de conscientização são exemplos de ações que podem reduzir a lacuna educacional.
“É preciso ajudar famílias a desenvolver seu potencial educador”, defende a OCDE. A organização recomenda que o governo brasileiro invista em programas de apoio parental, especialmente para as famílias mais vulneráveis.
O relatório conclui que a desigualdade educacional não pode ser combatida apenas na escola. A parceria entre Estado, famílias e educadores é fundamental para garantir que todas as crianças tenham oportunidades iguais de desenvolvimento desde os primeiros anos de vida.



