Estudantes de Taguatinga conquistam ouro e bronze na RoboCupJunior
Estudantes de Taguatinga conquistam ouro e bronze na RoboCup

Quatro estudantes de Taguatinga, no Distrito Federal, conquistaram duas medalhas na RoboCupJunior, competição mundial de robótica realizada em Incheon, na Coreia do Sul, entre os dias 2 e 5 de julho. A equipe do clube de robótica da EduSesc ficou em 3º lugar na categoria principal OnStage e conquistou o 1º lugar no SuperTeams, desafio que reúne estudantes de diferentes países para desenvolver uma nova apresentação em conjunto. A competição contou com 25 equipes representando 21 países.

Equipe pioneira do Centro-Oeste

Os integrantes da equipe são Jullyanne Souza, de 18 anos, Rebeca Sanchez, de 18 anos, Mateus Santos, de 17 anos, e Caio Lima, também de 17 anos. Jullyanne e Rebeca concluíram o Ensino Médio no ano passado, enquanto Mateus e Caio cursam o 3º ano. O grupo foi o primeiro do Centro-Oeste brasileiro a participar da RoboCupJunior. A viagem à Coreia do Sul foi custeada pelo Sesc do Distrito Federal.

Robô Anbot: inteligência artificial encontra o Curupira

O robô Anbot, apresentado pelos estudantes, é capaz de andar, levantar objetos e interagir com pessoas. Ele reage a comandos de voz e gestos, movimenta a cabeça, olha para os lados e pode se deslocar na direção de quem interage com ele. Na apresentação que garantiu o 3º lugar na categoria OnStage – que combina robótica, programação, teatro e criatividade –, os estudantes usaram o robô para contar uma história que uniu inteligência artificial, cultura brasileira e preservação ambiental.

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No roteiro, Anbot é o assistente de um pesquisador chamado Kenai e recebe a missão de mapear a Floresta Amazônica. Durante o trabalho, os dois encontram o Curupira, personagem do folclore brasileiro conhecido como protetor das florestas, que desconfia das intenções do robô. "A primeira coisa que a gente pensou foi essa questão da Amazônia, porque é algo que está sempre em alta no mundo. No meio da criatividade, a gente falou: 'Por que não colocar uma pessoa do folclore brasileiro, como o Curupira, para ser algo mais dinâmico e divertido para a apresentação?'", contou Caio Lima.

Para mostrar que a tecnologia pode ajudar na preservação ambiental, Anbot analisa dados e conclui que a floresta precisa de medidas urgentes de conservação. No cenário, algo curioso: capivaras. Segundo Caio, os animais foram incluídos como uma referência a Brasília e ao cotidiano dos estudantes. "Em Brasília, a gente tem muita capivara e resolveu trazer isso para a nossa apresentação também como forma de expressar tudo aquilo que está ao nosso redor, como a Amazônia, o folclore e as capivaras de Brasília", disse.

Desenvolvimento de um ano e meio

O robô levou cerca de um ano e meio para ser desenvolvido e passou por diferentes versões até chegar às funcionalidades e ao visual apresentados na competição. O protótipo foi construído com peças retiradas de lixo eletrônico e equipamentos antigos descartados. De acordo com o professor William Caetano, que orientou a equipe, os estudantes enfrentaram dificuldades mecânicas e eletrônicas durante o desenvolvimento do projeto. "Havia peças que não encontrávamos no Brasil e também desafios relacionados à física dos robôs. Isso nos levou a desenvolver recursos para solucionar os problemas", contou o professor.

SuperTeams: parceria entre três continentes

Além da competição principal, os estudantes participaram do SuperTeams. Na modalidade, equipes de diferentes países são reunidas e precisam criar uma nova apresentação utilizando os robôs desenvolvidos para a competição individual. Os estudantes do DF trabalharam com equipes da Áustria e de Singapura e conquistaram o 1º lugar. A comunicação foi um dos principais desafios enfrentados pelo grupo. Segundo os estudantes, as diferenças no domínio do inglês e nos sotaques dificultaram, em alguns momentos, a troca de ideias entre os participantes. Outro desafio foi conciliar ideias e referências culturais de estudantes de países de três continentes diferentes: América, Europa e Ásia.

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Para o professor William Caetano, as trocas de experiências e as amizades construídas durante a competição foram alguns dos principais aprendizados da viagem. "As trocas de experiências, e as amizades construídas marcaram muito nossa equipe, saber que em outros países existem jovens vivenciando as mesmas dificuldades e aprendendo o que nós aprendemos", disse ao g1.