Moradores de Botafogo realizaram um protesto na manhã deste sábado contra o leilão de um terreno que abrigou uma unidade do supermercado Sendas. O grupo, liderado pela Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (Amab), defende que o imóvel continue sendo utilizado como supermercado, em vez de ser destinado a um projeto da Fundação Getulio Vargas (FGV). O terreno, localizado na Rua São Clemente, é alvo de disputa judicial entre o Grupo Sendas e a Prefeitura do Rio de Janeiro.
Manifestantes questionam decisão da prefeitura
Os manifestantes alegam que não foram consultados sobre a desapropriação do imóvel, que ocorreu por decreto municipal em 2023. Segundo a Amab, a comunidade só tomou conhecimento do leilão após a publicação do edital. “O supermercado é essencial para o bairro, especialmente para os idosos e moradores de baixa renda. A prefeitura não nos ouviu e está entregando o espaço para um projeto que não atende às necessidades da população”, afirmou Maria Silva, presidente da Amab.
Disputa judicial e posição da FGV
O Grupo Sendas entrou com uma ação na Justiça contestando a desapropriação e o leilão. A empresa alega que o imóvel foi avaliado abaixo do valor de mercado e que a destinação para a FGV não é de interesse público. A FGV, por sua vez, informou que planeja instalar um centro de inteligência artificial no local, mas não está envolvida no processo judicial. “A FGV é apenas a destinatária final do imóvel, caso o leilão seja concluído. Não participamos da disputa legal”, disse a instituição em nota.
Impacto para a comunidade
O protesto contou com cerca de 200 moradores, que bloquearam parcialmente a Rua São Clemente. Eles carregavam faixas com dizeres como “Supermercado já, FGV não” e “Queremos ser ouvidos”. O leilão está marcado para o dia 30 de junho, mas a Justiça pode suspendê-lo a pedido do Grupo Sendas. A prefeitura ainda não se manifestou sobre o protesto.



