O atacante do Flamengo, Bruno Henrique, passou a responder também pelo crime de estelionato na Justiça do Distrito Federal, após o Tribunal de Justiça local acolher recurso do Ministério Público. Inicialmente, ele havia se tornado réu apenas por fraude de competição esportiva, acusado de forçar um cartão amarelo para beneficiar apostas de familiares.
A decisão foi tomada em sessão na tarde desta quinta-feira pela Terceira Turma Criminal do TJ-DFT. O relator, desembargador Demétrius Gomes, divergiu do entendimento anterior do juiz Fernando Brandini Barbagalo, que havia rejeitado o enquadramento no crime de estelionato por falta de representação das casas de apostas. Gomes considerou que a International Betting Integrity Agency (Ibia), que notificou a suspeita, pode representar as empresas de apostas.
Com a nova decisão, Bruno Henrique responde por dois crimes: fraude de competição esportiva (pena de dois a seis anos de prisão) e estelionato (pena de um a cinco anos). Além dele, outras oito pessoas, incluindo primos e seu irmão Wander Pinto Júnior, também são investigadas. O MP-DFT havia pedido fiança de R$ 2 milhões, mas o pedido foi negado, pois o jogador não apresenta risco de fuga.
O caso teve início em uma partida do Brasileirão de 2023, contra o Santos, quando Bruno Henrique recebeu cartão amarelo aos 50 minutos do segundo tempo. Segundo a acusação, familiares do atleta realizaram apostas com alta margem de retorno financeiro: o irmão apostou R$ 380,86 e recebeu R$ 1.180,67; a esposa do jogador apostou em duas plataformas, recebendo R$ 1.180,67 e R$ 1.425,00; e uma prima também apostou R$ 380,86, recebendo o mesmo valor de volta.
A defesa de Bruno Henrique tenta o arquivamento do processo, argumentando que a conduta atribuída a ele não condiz com as ações do inquérito. O pedido, no entanto, foi indeferido. Em outra frente, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta semana que forçar cartões para favorecer apostas não configura manipulação de jogos, pois não altera o resultado da partida. O entendimento foi dado pelo ministro Gilmar Mendes em caso semelhante envolvendo o jogador Igor Cariús.



