Vice-prefeita de Ribeira é denunciada por desvio de R$ 41 mil para 'casamento espiritual'
Vice-prefeita denunciada por desvio de R$ 41 mil para ritual

A vice-prefeita afastada de Ribeira (SP), Juliana Maria (MDB), foi denunciada pelo Ministério Público por suposto desvio de R$ 41,2 mil da Secretaria de Saúde para pagar uma mãe de santo por um 'casamento espiritual' – uma 'amarração amorosa' com o objetivo de separar um funcionário da esposa. O caso envolve ainda a contratação de uma 'servidora fantasma', uma jovem de 17 anos que, à época, tinha apenas o Ensino Médio completo e foi contratada como técnica de informática, recebendo R$ 2,5 mil mensais, mas sem formação na área.

Contratação irregular e servidora fantasma

Segundo a investigação do MP, a contratação foi feita diretamente pelo prefeito Ari do Carmo (PSD) durante um período em que o pai da jovem, servidor concursado, ocupava interinamente a Secretaria de Saúde – pasta comandada por Juliana, que estava afastada temporariamente no período eleitoral. A jovem trabalhou de maio a dezembro de 2024, mas os pagamentos continuaram até maio de 2025. Em depoimento, ela afirmou que realizava apenas tarefas básicas, como digitação e instalação de programas, e que não possuía conhecimento técnico. 'Está mais para auxiliar [de informática] o que eu fiz. Eu não tenho uma formação. Então, se eu via que realmente o problema não era na programação, eu contatava o meu pai e ele mandava para o técnico realmente formado', declarou.

Esquema de fraudes e desvio para ritual

O MP aponta que Juliana, juntamente com Lauro Olegário da Silva Filho (então coordenador municipal de Saúde) e Willian Felipe da Silva (proprietário da empresa W.F. Da Silva Treinamentos), participou de um esquema para beneficiar a empresa de William em contratos da prefeitura, com fraudes em licitações e pagamentos irregulares. Desse esquema, R$ 41,2 mil da área da saúde foram pagos com base em uma nota fiscal falsa, e parte desse dinheiro teria sido usado para contratar uma 'mentora espiritual' para o 'casamento espiritual'. O MP também pede a reparação mínima dos danos ao erário no valor de R$ 41,2 mil.

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Defesa e pedidos do MP

A defesa de Juliana alega que ela não era secretária de Saúde na época da contratação da servidora e que não há provas de dano ao erário ou dolo específico. No entanto, o MP rebateu, afirmando que a secretária tinha a função de fiscalizar contratos e pagamentos, e que a contratação foi feita diretamente com uma pessoa física, menor de idade, filha do ex-secretário, sem comprovação dos serviços prestados. O MP pede a condenação de Juliana e do prefeito Ari do Carmo por improbidade administrativa, a devolução dos R$ 30 mil pagos à servidora fantasma, e uma reforma administrativa no município para acabar com contratações irregulares. O processo tramita sob segredo de Justiça.

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