Dono da Outsider Tours vira réu por estelionato em Sergipe; sócio está foragido
Dono da Outsider Tours vira réu por estelionato em Sergipe

O empresário Fernando Sampaio de Souza e Silva, proprietário da Outsider Tours, tornou-se réu por estelionato em Sergipe, após causar um prejuízo de R$ 14,7 mil a duas vítimas. A denúncia do Ministério Público de Sergipe (MP-SE) revela que Fernando utilizou uma empresa localizada no mesmo endereço de outras duas já investigadas por estelionato. Seu sócio, Armando Raymundo Neto, dono da Turisport, encontra-se foragido.

Esquema de Fraude Revelado

De acordo com a investigação do MP-SE, as vítimas pagaram R$ 7,35 mil cada uma por pacotes de hospedagem, ingressos e passagens aéreas para a final da Libertadores de 2025, entre Flamengo e Palmeiras, em Lima, Peru. Os pagamentos foram feitos via PIX para os CNPJs da Infinito Viagens e Turismo e da Turisport. Diligências judiciais confirmaram que Fernando e Armando foram os beneficiários finais das transações.

A Infinito Viagens e Turismo LTDA, fundada em 2018, tem Fernando como único sócio e está registrada na Rua do Passeio, número 56, 15º andar – o mesmo endereço de outras duas empresas de turismo das quais Fernando é sócio: High Light Consolidadora Viagens e Turismo e AIT Operadora de Turismo. Ambas são citadas em processos por estelionato na venda de pacotes para eventos esportivos e fazem parte do mesmo grupo econômico, a Outsider Holding.

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Estratégia para Fugir de Dívidas

Investigações da Polícia Civil do Rio e processos judiciais já apontavam, em 2025, que essa era uma estratégia consolidada de Fernando para dificultar o pagamento de dívidas. Clientes que ganham ações judiciais enfrentam dificuldades para citar Fernando ou suas empresas e executar as dívidas. Diferentes processos citam o modus operandi como indicativo de "confusão patrimonial, ocultação de bens e fraude à execução".

No caso de Sergipe, à medida que a partida decisiva se aproximava, as vítimas procuraram Fernando e Armando pelos vouchers de viagem, que nunca foram entregues. Segundo o MP-SE, os dois "pararam de atender às vítimas e desapareceram com o dinheiro recebido, sem dar novas informações e nem efetuar qualquer ressarcimento pelo prejuízo causado".

Prisão e Defesa

Fernando foi preso pela Polícia Federal na sexta-feira, ao desembarcar no Aeroporto Internacional do Galeão, vindo de Balneário Camboriú, onde passou a morar no final de 2025. A prisão preventiva foi mantida após audiência de custódia no Rio. Ele estava na unidade prisional de Benfica até terça-feira, quando foi transferido para um presídio em Japeri, na Baixada Fluminense.

A defesa de Fernando, representada pelos advogados Felipe Raúl Haas e Fernando Martins Xavier de Almeida, informou que teve acesso à denúncia, mas ainda não obteve a decisão que decretou a prisão preventiva, que está sob sigilo. A defesa afirma que Fernando é réu primário e que o crime foi cometido sem violência ou grave ameaça, e que a acusação será submetida ao devido processo legal.

Histórico de Processos

Em janeiro de 2026, Fernando foi preso em Santa Catarina por mandado da Justiça do Pará e solto em abril após pagar o prejuízo às vítimas. Atualmente, ele responde a um processo criminal no Rio por estelionato, crime pelo qual foi indiciado duas vezes em 2025. Uma tentativa de acordo com o MPRJ foi negada, pois somente no Rio ele é alvo de mais de quarenta inquéritos por vender pacotes e não entregar.

Em maio de 2025, a Polícia Civil cumpriu 9 mandados de busca e apreensão contra Fernando e Armando. Na denúncia do MP do Rio, o promotor pediu a suspensão das atividades comerciais de todas as empresas ligadas a Fernando e a retirada do ar de suas páginas na internet e redes sociais.

Mais de 600 Processos

Fernando e suas empresas são alvos de mais de 600 processos e registros de ocorrência em todo o Brasil. Há investigações em andamento em São Paulo, após prejuízo de R$ 1,2 milhão a uma empresa paulista, e uma agência de turismo da Bahia cobra R$ 5,9 milhões na Justiça Cível.

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O CNPJ da Outsider Turismo LTDA já era considerado inapto desde novembro de 2025, devido a inadimplemento em processos na Justiça do Trabalho. Diversos clientes que ganharam processos contra a Outsider Tours afirmam não conseguir citar a empresa ou Fernando. Para suas operações, Fernando ainda utilizava outras empresas, como Outsider Tour SP LTDA, AIT Operadora de Turismo, High Light Consolidadora, Turisport, Arena Consultoria Esportiva (pertencente a Letícia Coppi da Silva, com quem Fernando tem um filho) e Infinito Viagens.