Michelle Bolsonaro renunciou à presidência do PL Mulher, o segmento feminino do Partido Liberal, em meio a uma crise com o enteado Flávio Bolsonaro. Em nota oficial divulgada nesta terça-feira, a ex-primeira-dama afirmou que se dedicará aos cuidados do marido, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e da filha Laura, de 12 anos.
Decisão comunicada a Valdemar Costa Neto
A decisão foi comunicada diretamente ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em reunião realizada na sede do partido. Segundo fontes próximas, Michelle expressou cansaço com a vida política e descontentamento por não ser ouvida em decisões estratégicas do partido. Valdemar tentou convencê-la a permanecer no cargo, mas ela reafirmou o afastamento.
Crise com Flávio Bolsonaro
A crise que levou à renúncia teve origem em divergências com Flávio Bolsonaro, senador e filho mais velho do ex-presidente. Nos bastidores, Michelle teria se sentido desprestigiada em eventos e decisões internas, o que gerou atritos. Flávio, por sua vez, nega qualquer conflito direto, mas admite que há diferenças de visão sobre o papel do PL Mulher.
"Vou me dedicar aos cuidados do meu marido e filha", declarou Michelle na nota, sem mencionar diretamente Flávio. Ela agradeceu a confiança de Valdemar e das mulheres do partido, mas reiterou que não retornará à política partidária no curto prazo.
Impacto no PL Mulher
A saída de Michelle ocorre em um momento delicado para o PL, que busca fortalecer sua base feminina para as eleições de 2026. O partido ainda não definiu quem assumirá a presidência do PL Mulher. Entre os nomes cotados estão a deputada federal Bia Kicis e a advogada Karina Kufa, ambas aliadas de Jair Bolsonaro.
Analistas políticos apontam que a renúncia pode enfraquecer a articulação do PL com o eleitorado feminino, especialmente em um ano eleitoral. Michelle era vista como uma peça-chave para atrair votos de mulheres conservadoras.
Reações
Valdemar Costa Neto lamentou a decisão em nota oficial: "Respeitamos a decisão de Michelle e agradecemos seu trabalho à frente do PL Mulher. Ela sempre será uma liderança importante para o partido." Já Flávio Bolsonaro evitou comentar o assunto publicamente.
Nas redes sociais, apoiadores de Michelle manifestaram solidariedade, enquanto críticos apontaram que a crise expõe divisões internas na família Bolsonaro. A ex-primeira-dama encerrou a nota com um tom pessoal: "Agradeço a Deus pela família que tenho e pelo tempo que poderei dedicar a eles."



