Governo Lula anuncia Desenrola Adimplentes e ampliação do teto do MEI
Lula anuncia Desenrola Adimplentes e ampliação do MEI

Nesta segunda-feira (29), o governo Lula colocou em prática duas medidas voltadas ao orçamento das famílias: lançou o Desenrola Adimplentes e encaminhou ao Congresso o projeto que amplia o teto do MEI. A aposta de aliviar o custo do crédito e facilitar a expansão de pequenos negócios tem um alvo mais específico do que a redução da inadimplência ou o incentivo ao empreendedorismo. É uma tentativa de resposta do Planalto a uma contradição que aparece de forma recorrente nos levantamentos eleitorais. Apesar da melhora da economia, esse avanço ainda não é percebido por parte relevante do eleitorado.

Melhora macroeconômica não chega ao cotidiano das famílias

Nos últimos meses, indicadores como desemprego, inflação e atividade econômica evoluíram em direção favorável ao governo. Ainda assim, o ganho político ficou aquém do esperado. A avaliação dentro da equipe econômica é que a melhora dos indicadores macroeconômicos não chega ao cotidiano de famílias que continuam comprometendo boa parte da renda com parcelas de empréstimos contratados em um período de juros elevados.

É nesse contexto que surge o Desenrola Adimplentes. Diferentemente da primeira versão do programa, voltada à renegociação de dívidas vencidas, a nova modalidade busca atender consumidores que mantêm os pagamentos em dia, mas carregam financiamentos caros. A ideia é substituir essas operações por crédito com juros menores antes que essas famílias entrem para as estatísticas da inadimplência.

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Endividamento atinge 69% dos brasileiros, aponta pesquisa

A aposta dialoga com um problema ainda disseminado no país. A pesquisa Genial/Quaest divulgada no início de junho mostrou que 69% dos brasileiros possuem algum tipo de dívida. Entre eles, 23% afirmam estar muito endividados e 46% dizem ter poucas dívidas. A situação é mais intensa justamente entre os eleitores de menor renda. Entre eles, 73% dos que recebem até dois salários mínimos estão endividados.

Esse grupo também corresponde ao principal reduto eleitoral de Lula. No levantamento, o presidente aparece com 50% das intenções de voto entre os brasileiros de renda mais baixa, mais que o dobro dos 23% registrados por Flávio Bolsonaro. Preservar essa vantagem tornou-se prioridade para um governo que tenta impedir que a pressão financeira das famílias reduza o efeito político da recuperação econômica.

Ampliação do teto do MEI atende pequenos empreendedores

Outro movimento segue a mesma lógica. O projeto enviado ao Congresso amplia o teto anual do MEI, hoje em R$ 81 mil, para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de autorizar a contratação de um segundo empregado. A proposta atende uma reivindicação antiga de pequenos empreendedores que vinham adiando o crescimento dos negócios para evitar o desenquadramento do regime simplificado.

Embora trate de política tributária, a medida também alcança um segmento relevante da disputa eleitoral. O universo dos microempreendedores reúne trabalhadores autônomos, prestadores de serviços e pequenos comerciantes que costumam enfrentar dificuldade de acesso ao crédito tradicional e são especialmente sensíveis ao aumento dos custos financeiros.

Desafios: adesão dos bancos e tramitação no Congresso

As pesquisas sugerem que esse eleitor ainda não rompeu com o governo, mas também não incorporou plenamente a narrativa de melhora da economia. Na mesma Genial/Quaest, Lula abriu dez pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas continua atrás entre os brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos, faixa em que o senador lidera por 37% a 28%.

O governo tenta reduzir essa diferença atuando menos sobre indicadores agregados e mais sobre o orçamento das famílias. Enquanto inflação, PIB e desemprego são dados percebidos de forma indireta, a queda da parcela de um empréstimo ou a possibilidade de permanecer no regime do MEI têm impacto imediato na renda disponível.

O sucesso do Desenrola Adimplentes, no entanto, depende da adesão dos bancos, que têm menos incentivos econômicos para substituir contratos que seguem sendo pagos regularmente. Já a ampliação do MEI precisará avançar no Congresso em um momento de forte pressão sobre as contas públicas.

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