Kevin O'Leary revela como Steve Jobs influenciou seu estilo de liderança implacável
Kevin O'Leary revela influência de Steve Jobs em sua liderança

CEOs assumem os mais diversos perfis, do líder benevolente ao executivo implacável. O empresário milionário Kevin O'Leary é famoso por sua postura brutalmente honesta e intimidadora diante das câmeras como investidor do programa Shark Tank — e parte desse estilo de liderança foi influenciada por sua experiência trabalhando com o falecido cofundador da Apple, Steve Jobs.

“Não acho que as pessoas com quem você trabalha precisem ser suas amigas”, disse O'Leary à Fortune no ano passado. “Elas precisam respeitar você, e você precisa ajudá-las a avançar na carreira, ganhar dinheiro e atingir seus objetivos.”

Leia também: O que realmente leva um profissional a ser um executivo nas maiores empresas. Continua depois da publicidade. O'Leary, conhecido como Mr. Wonderful, não sente necessidade de ser gentil o tempo todo nem de suavizar suas opiniões, e isso pode ser parte da razão pela qual acumulou uma fortuna de US$ 400 milhões graças ao seu sucesso nos negócios. O investidor em série ganhou notoriedade em 1999, quando vendeu sua empresa, SoftKey Software Products, para a Mattel por US$ 4,2 bilhões, logo após trabalhar com Jobs no desenvolvimento de softwares educacionais da Apple. A O'Leary Ventures, sua firma de capital de risco, também investiu em dezenas de startups, incluindo a empresa sustentável Blueland — que ultrapassou US$ 300 milhões em vendas acumuladas em novembro passado — e o aplicativo de impressão de fotos Groovebook, adquirido por US$ 14,5 milhões.

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Conseguir um acordo com Mr. Wonderful, seja no Shark Tank ou fora dele, não é tarefa fácil — ele é conhecido por ser um investidor rápido no raciocínio, ousado e exigente. E não tem medo de desagradar algumas pessoas, pois adota uma “mentalidade de fundador” que prioriza o sinal em vez do ruído. Continua depois da publicidade. Isso significa conseguir realizar rapidamente de três a cinco tarefas fundamentais, ignorando o caos e as distrações externas. Trata-se de uma estratégia de liderança que ele observou em Jobs nos anos 1990, quando o empresário frequentemente deixava sentimentos de lado para garantir o sucesso de suas parcerias de negócios. O'Leary sabe que é preciso quebrar alguns ovos para fazer uma omelete — mesmo que isso signifique não ser popular.

“Não gasto muito tempo pensando em ser querido, não me importo com isso. Parece algo totalmente irrelevante. Se você gastar seu tempo se preocupando com isso, certamente vai fracassar, porque deixará passar o que realmente importa”, continuou O'Leary. “O que realmente importa não é fazer todo mundo gostar de você — isso não tem nada a ver com sucesso… Você não pode se preocupar em ferir suscetibilidades. É preciso fazer o trabalho.”

Trabalhando com Jobs e liderando com firmeza

Os CEOs do Vale do Silício não são conhecidos por serem as pessoas mais amigáveis ou carismáticas, e o falecido magnata da tecnologia Jobs não era exceção. Enquanto a SoftKey trabalhava com a Apple na criação de novos softwares educacionais, O'Leary sugeriu que Jobs ouvisse professores e estudantes sobre o que eles queriam nos jogos. Mas o cofundador da Apple não quis saber da ideia, afirmando que as opiniões deles não importavam e que os programas funcionariam melhor sob sua própria direção.

“Com o tempo, você quer fazer parte desse movimento, porque está no time vencedor. Ganhamos muito dinheiro com Steve Jobs, e ele estava certo. ‘Vocês fazem o software, eu entrego o mercado. Apenas façam direito.’ Eu o ouvi, e ele estava certo.”

O'Leary observou que é mais importante ser respeitado do que querido. Sua estratégia de liderança gira em torno de impulsionar a carreira de seus parceiros de negócios, fazê-los ganhar muito dinheiro e ajudá-los a alcançar seus objetivos. Isso pode exigir certa firmeza, mas as pessoas mais bem-sucedidas com quem trabalhou, incluindo Jobs, não ficam presas à necessidade de agradar.

“Certamente não era assim que Jobs trabalhava, então não gasto muito tempo me preocupando com essas coisas”, disse O'Leary. “Sei que muita gente não gosta de mim porque sou direto e digo a verdade — e realmente não me importo. É verdade hoje, será verdade na semana que vem e continuará sendo verdade daqui a seis meses. Você vai ter que lidar com isso de qualquer jeito.”

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Momentos em que Jobs mostrou que seu sucesso exigia mão de ferro

Jobs era amplamente conhecido por criar ambientes de trabalho tensos, mas, afinal, diamantes são formados sob pressão. Perfeccionista e adepto do microgerenciamento, até mesmo o menor erro percebido podia desencadear uma bronca. Por exemplo, integrantes da equipe do Macintosh certa vez foram repreendidos por causa do espaçamento inadequado na interface do sistema. Os detalhes fazem toda a diferença — e hoje há mais de 100 milhões de Macs em uso.

“Isso criou um ambiente de alta pressão”, escreveu Chris Neck, professor de administração da Universidade Estadual do Arizona, sobre o intenso estilo de liderança de Jobs. “Ele pressionou a equipe original do Mac com prazos impossíveis, frequentemente entrando em conflito com engenheiros, mas fazendo um produto revolucionário.” Neck observou que essa abordagem mais agressiva custou à Apple alguns talentos importantes, como o designer do Macintosh Jef Raskin, que decidiu deixar a empresa em 1982.

Mesmo quando Jobs se dedicava a projetos fora da Apple, mantinha a mesma intensidade característica. Jobs foi um dos três fundadores da Pixar Animation Studios, após adquirir o grupo da Lucasfilm em 1986. Mas, para transformar filmes icônicos como Procurando Nemo e Toy Story em sucessos mundiais, submeteu os funcionários a uma rotina de trabalho intensa. Ninguém quer ser acordado pelo chefe às três da manhã, mas atender ao telefone não era opcional quando havia uma ligação de Jobs do outro lado da linha.

“Ele ligava — especialmente para os produtores — a qualquer hora, de dia ou de noite, às três da manhã, durante suas férias, não importava”, disse Pete Docter, diretor criativo da Pixar e ex-subordinado de Jobs, durante evento das Empresas Mais Inovadoras da Fast Company em 2025. “Ele queria falar sobre o assunto, então você atendia.”

O'Leary disse à Fortune que considerava o estilo de liderança de Jobs algo fora do comum — mas admirava sua capacidade de comandar equipes, manter os olhos no objetivo e permanecer focado no “sinal”. Segundo ele, trata-se de uma mentalidade e uma estratégia contagiantes para quem trabalha ao lado de alguém assim.

“Não estou dizendo que gostava tanto dele assim, mas, caramba, eu o respeitava. Porque ele tinha uma capacidade de execução incrível. Ele podia dizer: ‘Vou sair daqui e chegar lá, e vou conseguir.’ Ele não estava nem aí para quem ficasse em seu caminho”, relembrou O'Leary.

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