O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa nesta sexta-feira de um seminário do Partido Liberal (PL) na capital fluminense, em meio a uma série de desafios para estruturar o palanque do partido no Rio de Janeiro. A legenda enfrenta crises internas após a desistência do governador Cláudio Castro de concorrer ao Senado, devido a investigações da Polícia Federal, e o enfraquecimento político do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, alvo de suspeitas de desvio de recursos.
Crise no palanque do PL no Rio
O evento, que reúne lideranças partidárias e pré-candidatos, é visto como uma tentativa de Flávio Bolsonaro de unificar o partido e definir novos nomes para as eleições de 2026. A candidatura de Douglas Ruas ao governo do estado também enfrenta obstáculos, com baixo desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Segundo aliados, a legenda busca alternativas para fortalecer a chapa e evitar novos reveses.
Em uma operação recente, a Polícia Federal apreendeu R$ 468 mil em dinheiro em espécie em um endereço ligado a Sóstenes Cavalcante. O deputado nega irregularidades e afirma que os recursos são de origem lícita. O caso, no entanto, abalou a imagem do partido e gerou desgaste político.
Estratégias para 2026
Flávio Bolsonaro, que se prepara para uma possível candidatura presidencial, depende de uma base sólida no Rio de Janeiro. O seminário do PL deve discutir estratégias eleitorais, alianças e a formação de chapas para os cargos majoritários. “Precisamos de unidade e candidatos competitivos para vencer as eleições”, afirmou uma fonte do partido, sob condição de anonimato.
O senador também busca recompor o diálogo com prefeitos e vereadores do interior, essenciais para a capilaridade da campanha. A ausência de Cláudio Castro na disputa ao Senado abre espaço para novos nomes, como o ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e o deputado federal Hélio Lopes.
Impacto na pré-campanha presidencial
Analistas políticos apontam que a fragilidade do PL no Rio pode comprometer a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país e tradicionalmente decisivo para candidaturas presidenciais. “Sem uma base forte no Rio, o senador terá dificuldades para viabilizar seu nome nacionalmente”, avalia o cientista político Carlos Pereira, da FGV.
O partido, por sua vez, tenta minimizar os danos e apresentar uma frente unida. A expectativa é que o seminário desta sexta-feira resulte em anúncios de novos pré-candidatos e na definição de uma estratégia comum para as eleições de 2026.



