A Casa Branca está apoiando abertamente Flávio Bolsonaro, após o sucesso das intervenções dos Estados Unidos nas eleições do Peru e da Colômbia. A estratégia, no entanto, carrega riscos de um efeito rebote que pode beneficiar o presidente Lula. A tentativa de reaproximação entre Lula e Donald Trump fracassou durante a reunião do G7, indicando tensões crescentes entre os dois líderes.
Intervenções anteriores abrem caminho
O apoio americano a Flávio Bolsonaro não é um movimento isolado. Nos últimos meses, a Casa Branca atuou discretamente para influenciar resultados eleitorais no Peru e na Colômbia, onde candidatos alinhados aos interesses dos EUA saíram vitoriosos. O sucesso nessas operações encorajou a equipe de Trump a replicar a tática no Brasil, mirando as eleições de 2026. No entanto, analistas alertam que a interferência pode gerar reações adversas, fortalecendo o discurso de Lula contra o que ele chama de 'imperialismo americano'.
Tensões no G7
O encontro entre Lula e Trump no G7 foi marcado por desentendimentos. Segundo fontes diplomáticas, Trump teria pressionado Lula por maiores concessões comerciais e ambientais, enquanto Lula recusou qualquer alinhamento automático com a agenda americana. A falta de acordo aprofundou o distanciamento entre os dois governos, abrindo espaço para que a Casa Branca busque influenciar diretamente a oposição brasileira.
Cenário paulista favorece Tarcísio
Em São Paulo, a saída de candidatos de centro e de direita do pleito estadual consolidou Tarcísio de Freitas como o principal nome da oposição. O governador, que tem se aproximado de Flávio Bolsonaro, vê seu capital político crescer. Para a campanha de Flávio, a força de Tarcísio em São Paulo é uma faca de dois gumes: pode atrair votos do eleitorado conservador, mas também ofuscar a candidatura presidencial bolsonarista. Pesquisas internas indicam que, sem um candidato único, a direita pode perder espaço para Lula no estado mais rico do país.
Lula anuncia programa de redução de juros
Enquanto a oposição se articula, o governo Lula prepara um pacote para reduzir os juros de empréstimos pessoais e consignados. A medida, que deve ser anunciada nas próximas semanas, tem como objetivo beneficiar milhões de eleitores endividados. Segundo o Ministério da Fazenda, a proposta inclui a ampliação do crédito com taxas subsidiadas por bancos públicos e a regulamentação de juros máximos para operações de consumo. A expectativa é que o programa alcance cerca de 40 milhões de brasileiros, gerando um impacto positivo na popularidade do presidente.
Especialistas apontam que a iniciativa pode neutralizar parte dos efeitos da interferência estrangeira, ao conectar o governo a uma demanda concreta da população. Resta saber se a máquina pública será suficiente para reverter a vantagem que a oposição busca construir com o apoio internacional.



