Na edição de hoje do Fórum dos Leitores, os temas vão desde a crise hídrica e o programa de vigilância Smart Sampa até a polarização política e a Copa do Mundo. Os leitores criticam soluções paliativas para a falta d'água, questionam a eficácia do videomonitoramento e analisam o cenário eleitoral e o desempenho da seleção brasileira.
Crise hídrica exige enfrentar causas, não apenas efeitos
O leitor Gilberto de Lima Garófalo, de Vinhedo, critica a busca por soluções paliativas para o problema hídrico em São Paulo, como a captação de águas do Rio Paraíba do Sul para reforçar o Sistema Cantareira. Ele aponta que a construção desenfreada de empreendimentos imobiliários, sem planejamento urbano coerente, é uma das causas do problema. "Urge que os bons legisladores tomem a rédea dessa questão e a população faça a sua parte, economizando água e se conscientizando de que o crescimento imobiliário desenfreado produz efeitos nefastos à cidade", afirma.
Airton Reis Júnior, de São Paulo, complementa que a autorização para ampliar a captação de água da bacia do Paraíba do Sul preocupa por afetar milhões de pessoas no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Ele defende que, em vez de buscar mais água em sistemas já pressionados pela estiagem, o poder público deveria priorizar a recuperação de rios e mananciais do próprio Estado, investir em saneamento, reflorestamento de matas ciliares e redução de desperdícios e reúso da água.
Smart Sampa: eficácia questionada e falta de auditoria independente
Theuan Carvalho Gomes, de Ribeirão Preto, contesta o entusiasmo do editorial que celebra a expansão do Smart Sampa. Ele aponta que Pinheiros, o bairro mais videomonitorado de São Paulo, é o que mais registra furto e roubo de celular, sugerindo que as câmeras não impedem os crimes. Gomes cita pesquisa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania que comparou a capital com outros municípios de São Paulo sem o programa e constatou "nenhum efeito estatisticamente significativo sobre furtos, roubos e homicídios, nem sobre prisões em flagrante ou cumprimento de mandados". Ele também critica a falta de auditoria independente dos dados da Prefeitura e alerta para detenções indevidas, vieses raciais e baixa acurácia. Por fim, ressalta que a vigilância massiva não alcança crimes estruturais como lavagem de dinheiro, corrupção e sonegação, e que falta lei específica para o uso de dados na segurança pública, como o anteprojeto de LGPD Penal.
Política e eleições: polarização e interesses pessoais
Diversos leitores comentam o cenário político. Paulo T. J. Santos, de São Paulo, sugere que a delação de Daniel Vorcaro pode não interessar a grandes nomes da República. Luciana Lins, de Campinas, critica a lógica de governos que premiam o oportunismo em vez da responsabilidade fiscal. Luiz Gonzaga Tressoldi Saraiva, de Salvador, ironiza a existência de "dois Supremos" – o de Gilmar Mendes e o de André Mendonça – e afirma que o STF deixou de ser um colegiado para se tornar dois partidos políticos. Dirceu Cardoso Gonçalves, de São Paulo, defende o voto consciente baseado em propostas, e não em paixões ideológicas. Paulo Roberto Gotaç, do Rio de Janeiro, critica o Centrão e a polarização estéril. Luiz A. Bernardi, de São Paulo, lamenta que a soberania nacional seja tratada como moeda de campanha. José Rubens de Macedo Soares, de São Paulo, clama por uma terceira via que supere a polarização PT-Bolsonaro.
Bets, endividamento e Copa do Mundo
Jane Araújo, de Brasília, defende o fim das bets, argumentando que a liberação desses jogos foi um erro e que o país deveria legalizar cassinos, que geram empregos e são fiscalizáveis. J. S. Vogel Decol, de São Paulo, alerta que a dívida pública brasileira, de cerca de 80% do PIB, equivale a R$ 50 mil por habitante. Sobre a Copa do Mundo, Vicente Limongi Netto, de Brasília, analisa o confronto Brasil x Noruega, sugerindo que Carlo Ancelotti escale Neymar para ajudar na criação de jogadas. Paulo Panossian, de São Carlos, destaca o retrospecto invicto da Noruega contra o Brasil, mas acredita na vitória brasileira. Roberto Solano, do Rio de Janeiro, aposta no samba para vencer a "remada viking" norueguesa.



