Uma nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada nesta segunda-feira, mostra que 40% dos brasileiros associam a pobreza à preguiça. O percentual quase dobrou em relação ao levantamento anterior, realizado há quatro anos, quando 22% compartilhavam dessa opinião. Entre empresários, o índice é ainda maior: 56% atribuem a pobreza à falta de esforço pessoal.
Mudança na percepção social
O estudo indica uma transformação significativa na percepção da sociedade sobre as causas da pobreza. A maioria dos entrevistados (58%) ainda acredita que a pobreza é resultado da falta de oportunidades, mas esse número caiu de 76% para 58% no mesmo período. Para 2% dos brasileiros, a pobreza se deve a ambos os fatores ou a outras razões.
Os dados foram coletados entre os dias 30 de junho e 1º de julho de 2026, com 2.016 entrevistados em 113 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Diferenças por renda e voto
A pesquisa revela disparidades conforme a renda e a preferência eleitoral. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 28% associam pobreza à preguiça. Já entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, o percentual sobe para 52%. A renda também influencia: nas faixas mais altas (acima de 10 salários mínimos), 48% culpam a preguiça, contra 36% entre os que ganham até dois salários mínimos.
“A visão de que a pobreza é fruto da preguiça cresce entre os mais ricos e entre os simpatizantes de Bolsonaro, refletindo uma polarização ideológica e econômica”, analisa o cientista político Antônio Lavareda, da Universidade Federal de Pernambuco.
Impactos na opinião pública
Para o sociólogo Marcelo Gomes, da Datafolha, o aumento dessa percepção pode estar relacionado a mudanças no discurso público e na cobertura midiática. “A associação entre pobreza e preguiça ganhou força nos últimos anos, especialmente em debates nas redes sociais. Isso pode influenciar políticas públicas e a solidariedade social”, afirma.
Os dados completos da pesquisa estão disponíveis no site do Datafolha. O instituto ressalta que a pesquisa foi encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo.



