O Instituto de Saúde Carlos III estima que ao menos 212 mortes foram registradas na Espanha entre domingo e quarta-feira devido à intensa onda de calor que atinge o país. O número foi calculado com base no excesso de mortalidade observado nesse período, em comparação com a média histórica para a época.
Temperaturas superam 40°C em mais de 100 regiões
A Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) confirmou que segunda e terça-feira foram os dias mais quentes de junho desde 1950, com termômetros ultrapassando os 40°C em mais de 100 localidades. Cidades como Sevilha, Córdoba e Badajoz registraram máximas acima de 44°C, levando as autoridades a emitirem alertas vermelhos de saúde pública.
A onda de calor forçou o cancelamento de eventos ao ar livre, incluindo festivais e competições esportivas. Hospitais relataram aumento na demanda por atendimentos relacionados a insolação, desidratação e problemas cardiovasculares agravados pelo calor extremo.
Crise climática intensifica frequência de ondas de calor
Especialistas apontam que a crise climática está tornando as ondas de calor mais frequentes e intensas na Espanha. Dados históricos da Aemet mostram que o número de dias com temperaturas extremas triplicou nas últimas décadas. Segundo o Instituto de Saúde Carlos III, a mortalidade atribuível ao calor vem crescendo ano a ano, com picos em 2022 e 2023.
O governo espanhol ativou protocolos de emergência, incluindo a abertura de centros de refrigeração e a distribuição de água em pontos estratégicos. A população foi orientada a evitar exposição ao sol entre 12h e 17h, manter-se hidratada e buscar ambientes climatizados.
Impacto na agricultura e infraestrutura
Além dos impactos na saúde, a onda de calor afeta severamente a agricultura, especialmente as culturas de oliva, uva e cereais no sul do país. Associações agrícolas estimam perdas de até 30% na produção em algumas regiões. A rede elétrica também opera sob estresse, com recordes de demanda por ar-condicionado, embora não tenham sido registrados apagões até o momento.
As previsões indicam que as temperaturas devem começar a cair a partir de sexta-feira, mas a Aemet alerta que novas ondas de calor podem ocorrer nas próximas semanas, mantendo o país em estado de atenção.



