O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (24) que o Irã garantiu aos EUA que não haverá cobrança de pedágio ou qualquer tipo de taxa para passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump declarou: "O Irã informou aos EUA que, apesar de relatos de 'fake news' que causam confusão, não há 'pedágios, custos de seguro ou quaisquer outras taxas de qualquer tipo sendo cobradas ou recebidas pelo Irã em navios que atravessam o Estreito de Ormuz'. Se essa informação for falsa, as negociações serão encerradas imediatamente! Além disso, nenhum dinheiro foi dado ao Irã, nem liberado ao país pelos EUA. Nós iremos liberar parte do dinheiro deles, que está totalmente sob nosso controle, para nossos agricultores e pecuaristas, para a compra de milho, trigo, soja e outros produtos. Alimentos são urgentemente necessários no Irã, e nós iremos comprá-los para eles exclusivamente dos Estados Unidos".
Ameaça de abandonar negociações e disputa por Ormuz
No mesmo post, Trump voltou a ameaçar abandonar as negociações com o Irã, algo que já havia feito na terça-feira (23), por conta das inspeções às instalações nucleares iranianas no âmbito do acordo de paz preliminar assinado entre os dois países na semana passada.
O Irã afirmou na terça-feira que apenas um número limitado de embarcações por dia está autorizado a passar pelo Estreito de Ormuz, quantidade que pode variar diariamente conforme as condições na região. A informação foi veiculada pela agência estatal iraniana Tasnim citando uma autoridade militar, adicionando uma nova camada à reabertura de Ormuz determinada pelo acordo de paz — que, no entanto, não mencionava tal limitação. O Irã não divulgou uma quantidade estimada de navios permitidos.
Controle do estreito e tráfego recorde
EUA e Irã também disputam quem controlará o estreito no pós-guerra e outras questões, como a possível cobrança de taxas por Teerã. Na segunda-feira (22), Trump disse que Ormuz estava "totalmente aberto", enquanto o Irã ameaçou fechá-lo novamente devido a ataques de Israel no Líbano.
Sites de monitoramento de tráfego marítimo registraram na segunda-feira o tráfego mais intenso por Ormuz desde o início da guerra no Oriente Médio: pelo menos 35 navios comerciais passaram pela região. Na terça, Trump afirmou que 19 milhões de barris de petróleo atravessaram Ormuz na segunda, o que chamou de "recorde histórico".
O governo dos EUA não havia se manifestado oficialmente sobre a fala do Irã até a última atualização desta reportagem.
Levantamento do bloqueio e vistorias nucleares
Trump disse que só aceitou levantar o bloqueio naval que a Marinha dos EUA impunha na entrada do Estreito de Ormuz porque os negociadores iranianos teriam aceitado as vistorias nucleares. "Baseado nessa e em outras grandes concessões feitas pelo Irã, eu concordei em permitir que o Estreito de Ormuz siga aberto, sem novos bloqueios navais", afirmou.
Irã e Omã estudam administração conjunta
Irã e Omã afirmaram na terça-feira que vão estudar uma futura administração conjunta de Ormuz, com cobrança de custos pelos serviços prestados. Em declaração conjunta, os dois países insistiram na soberania sobre a via marítima, enfatizando “sua soberania e direitos soberanos sobre suas águas territoriais no Estreito de Ormuz” e concordaram em manter o diálogo por meio de um grupo de trabalho conjunto entre os ministérios das Relações Exteriores, “a fim de chegar a um acordo sobre a futura administração da navegação no Estreito de Ormuz, os serviços que serão fornecidos nesse contexto e os custos associados a eles, de acordo com padrões internacionais”.
A declaração ocorreu após uma reunião de alto nível em Mascate, onde o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o principal negociador Mohammad Bagher Ghalibaf se encontraram com o sultão de Omã, Haitham bin Tariq.



