A Starbucks fechou mais de 2 mil lojas na Coreia do Sul para realizar um treinamento obrigatório com cerca de 24 mil funcionários sobre consciência histórica e sensibilidade cultural. A medida foi tomada após uma campanha de marketing da empresa fazer referência involuntária ao massacre de Gwangju, ocorrido em 1980, gerando forte reação negativa no país.
Campanha polêmica e reação pública
A campanha publicitária, que não teve a intenção de abordar o evento histórico, utilizou elementos que remetiam ao massacre de Gwangju, quando forças militares sul-coreanas reprimiram violentamente protestos pró-democracia, resultando em centenas de mortos. A associação foi imediatamente notada por consumidores e ativistas, que acusaram a empresa de insensibilidade e desrespeito à memória das vítimas.
Diante da repercussão negativa, a Starbucks demitiu o diretor-presidente da operação local e retirou o anúncio do ar. A empresa também emitiu um pedido de desculpas público, reconhecendo o erro e prometendo medidas para evitar que situações semelhantes ocorram no futuro.
Treinamento em larga escala
Como parte das ações de reparação, a Starbucks decidiu fechar todas as suas mais de 2 mil lojas no país por um período determinado para realizar o treinamento. Cerca de 24 mil funcionários participaram de cursos sobre consciência histórica, sensibilidade cultural e ética em comunicação. A empresa afirmou que o treinamento visa educar os colaboradores sobre a importância de respeitar a história e a cultura locais, especialmente em um país com um passado marcado por traumas coletivos.
“Queremos garantir que todos os nossos funcionários entendam o impacto de suas ações e comunicações, e que estejam preparados para evitar erros que possam causar ofensas”, declarou um porta-voz da Starbucks na Coreia do Sul.
Impacto e consequências
O fechamento das lojas representa um prejuízo operacional significativo, mas a empresa considera o investimento necessário para restaurar sua imagem e reconquistar a confiança dos consumidores sul-coreanos. O episódio também gerou debates sobre a responsabilidade de corporações multinacionais em respeitar as sensibilidades históricas e culturais dos países onde atuam.
Analistas de mercado apontam que a resposta rápida e abrangente da Starbucks pode ser um exemplo de gestão de crise, mas alertam que a recuperação da confiança do público pode levar tempo. A empresa já iniciou uma campanha de comunicação para reforçar seu compromisso com a comunidade local.



