O mercado global de robotáxis está entrando em uma nova fase de expansão comercial e pode movimentar cerca de US$ 1 trilhão até 2040, segundo relatório de análise do Morgan Stanley. Para o banco, a indústria deixou para trás a etapa de testes limitados e começa a avançar para operações em escala, impulsionada por avanços em inteligência artificial, redução dos custos de hardware e maior clareza regulatória. Na avaliação dos analistas, 2026 deverá marcar um ponto de inflexão para o setor.
Empresas e frotas autônomas
Empresas como Waymo, Tesla, Baidu Apollo, WeRide e Pony.ai já operam ou ampliam frotas autônomas em diferentes cidades, enquanto parcerias entre plataformas de mobilidade, fabricantes de veículos e fornecedores de tecnologia aceleram a comercialização da atividade. Analistas do Morgan Stanley, liderados por Tim Hsiao, estimam que a frota global de robotáxis alcance cerca de 2,5 milhões de veículos em 2035, com Estados Unidos e China respondendo por aproximadamente 70% desse total.
Mercado endereçável de US$ 1 trilhão
O mercado endereçável inclui serviços de transporte, venda de veículos, software, semicondutores, sensores e seguros, formando um ecossistema avaliado em US$ 1 trilhão. De acordo com o banco, o avanço dos robotáxis tende a provocar uma reestruturação profunda do setor automotivo. Os maiores beneficiários devem ser operadores de mobilidade autônoma, empresas de software, fabricantes de sensores, chips e sistemas avançados de direção. Em contrapartida, montadoras tradicionais focadas em veículos a combustão enfrentam um cenário mais desafiador à medida que a mobilidade passa a migrar da posse do automóvel para serviços sob demanda.
Waymo e Tesla despontam como líderes
Waymo, controlada pela Alphabet, e Tesla são as duas principais candidatas à liderança global do segmento, o que pode estimular a principal corrida da década, avaliam os analistas. Segundo o banco, a Waymo conta com vantagem em segurança e experiência operacional, enquanto a Tesla se destaca por custos mais baixos, escala de produção e sua enorme base instalada de veículos.
Competidores regionais
Além das duas líderes, o Morgan Stanley destaca um grupo de competidores regionais e especializados, incluindo Baidu Apollo, WeRide, Pony.ai, Uber, DiDi, XPeng e Zoox. O banco avalia que os vencedores serão aqueles capazes de combinar tecnologia, acesso direto ao consumidor e capacidade de expandir operações para novos mercados. Para os analistas, a corrida já não é mais sobre provar que a condução autônoma funciona, mas sim sobre quem conseguirá crescer mais rápido, operar com menores custos e estabelecer vantagens competitivas duradouras.
China ganha destaque pelo custo
Um dos principais motores da expansão do setor, segundo o relatório, é a redução dos custos promovida pela cadeia de suprimentos chinesa. O Morgan Stanley projeta que os robotáxis produzidos na China terão custo entre US$ 35 mil e US$ 40 mil por veículo em 2027, valor significativamente inferior ao observado nos primeiros projetos da indústria. O banco destaca que algumas operações chinesas já se aproximam do equilíbrio financeiro. Empresas como Pony.ai e Baidu Apollo alcançaram breakeven (ponto de equilíbrio entre receitas e custos) em determinadas cidades, enquanto a WeRide atingiu equilíbrio operacional em Abu Dhabi. Os analistas esperam que a economia das operações continue melhorando, com redução de cerca de 20% nos custos unitários nos próximos três anos.
Rentabilidade futura
A expectativa é que a rentabilidade se torne mais robusta a partir do fim da década. O Morgan Stanley projeta margens líquidas de 30% a 40% para frotas maduras de robotáxis, beneficiadas pela eliminação dos custos trabalhistas dos motoristas e pelo aumento da utilização dos veículos.
Impactos vão além do transporte
O banco também vê efeitos relevantes sobre outros setores. No mercado de seguros, por exemplo, a responsabilidade tende a migrar gradualmente dos motoristas para fabricantes, desenvolvedores de software e operadores de frota, criando novas oportunidades para seguradoras especializadas. Já na indústria de semicondutores, a adoção crescente dos robotáxis deve elevar significativamente a demanda por poder computacional. O Morgan Stanley estima que os veículos autônomos de próxima geração possam exigir mais de 4.000 TOPS (trilhões de operações por segundo) até 2030, impulsionando fornecedores como Nvidia e fabricantes de sistemas avançados de direção.
Riscos e conclusão
Por outro lado, entre os riscos, estão os possíveis atrasos regulatórios, acidentes de grande repercussão, resistência dos consumidores, custos elevados de expansão e dificuldades para replicar operações em diferentes mercados. Ainda assim, a visão do banco é que a direção da indústria está definida, com o transporte autônomo saindo do estágio experimental para se tornar uma das maiores oportunidades de criação de valor da próxima década.



