EUA sancionam brasileiro Victor Shimada por ligação com PCC e lavagem de dinheiro
EUA sancionam brasileiro por suposta ligação com PCC

O governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra o empresário brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada e sua empresa, Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobrança e Tecnologia Ltda., por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As sanções, divulgadas nesta quarta-feira (1º) pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Departamento do Tesouro dos EUA, apontam que Shimada liderava, a partir de São Paulo, uma estrutura de lavagem de dinheiro que atuava com integrantes do PCC na Flórida. Segundo as autoridades americanas, o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, utilizando criptomoedas para transferir valores provenientes do tráfico internacional de drogas.

Investigação no Brasil: caso VaideBet

No Brasil, Victor Shimada é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. De acordo com denúncia do Ministério Público aceita pela Justiça, a Victory Trading manteve intensa movimentação financeira com a empresa Wave Intermediações e Tecnologias Ltda., apontada como uma das empresas usadas para movimentar valores do esquema. A apuração identificou uma cadeia financeira: Corinthians → Rede Social Media Design → Neoway → Wave → UJ Football Talent. Em paralelo, foram apontadas transferências da Victory Trading para a UJ Football Talent, citada em outras investigações policiais.

Movimentações atípicas entre empresas

Um relatório da Polícia Civil de São Paulo lista transações suspeitas entre Wave e Victory Trading, incluindo: mais de R$ 5 milhões transferidos nos primeiros dias de março de 2024; cerca de R$ 3,38 milhões em um único dia (12 de março); doze transferências em 26 de março, totalizando aproximadamente R$ 5,3 milhões; e repasses de R$ 13,6 milhões entre 26 e 28 de março de 2024. O relatório também registra indícios de operações milionárias com criptoativos, como USDT (Tether), e fintechs ligadas ao mercado de criptomoedas.

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Conexões com o PCC

A investigação aponta conexões financeiras entre Victory Trading, Wave e UJ Football Talent. A UJ foi citada na colaboração premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, delator assassinado em novembro de 2024, como supostamente relacionada a Danilo Lima de Oliveira, o "Tripa", apontado como integrante do PCC. A Polícia Civil identificou cruzamentos financeiros entre empresas e pessoas mencionadas em apurações sobre a facção, mas não afirma que Shimada seja membro do PCC — apenas que ele estaria inserido em um fluxo financeiro conectado à organização criminosa.

Sanções dos EUA e outras medidas

O Tesouro americano afirma que Shimada foi um elo entre integrantes do PCC nos EUA e traficantes estrangeiros. Por isso, foi sancionado sob duas ordens executivas que permitem bloqueio de bens e proibição de transações com pessoas e empresas ligadas ao crime organizado transnacional. Além dele, foi sancionada Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, descrita como colaboradora próxima e parente de Shimada. A GloboNews aguarda posicionamentos dos envolvidos. Em janeiro de 2025, Shimada ficou brevemente em prisão domiciliar no Brasil por uso de sua empresa no esquema do Corinthians.

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