O governo do presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, sanções econômicas contra dois brasileiros e quatro empresas — três sediadas no Brasil e uma em Portugal — por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As medidas foram formalizadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano.
Brasileiros sancionados
Victor Henrique de Oliveira Shimada, sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda e da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (Portugal), foi classificado pelos EUA como "elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais". Segundo o governo Trump, Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome do PCC.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, parente de Shimada e sua secretária, foi acusada de atuar como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem da rede.
Empresas sancionadas
As sanções também atingiram as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda (todas no Brasil) e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (Portugal).
Investigação do caso VaideBet
No Brasil, Victor Shimada é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. De acordo com denúncia do Ministério Público, a Victory Trading manteve intensa movimentação financeira com a Wave Intermediações e Tecnologias Ltda, empresa apontada como utilizada para movimentar valores do esquema. A apuração identificou uma cadeia financeira que inclui transferências da Victory Trading para a UJ Football Talent. Shimada foi denunciado por lavagem de dinheiro e chegou a ficar em prisão domiciliar em janeiro de 2025.
Contexto das sanções
Esta é a primeira rodada de sanções econômicas do governo Trump contra alvos com suposta relação com o PCC após classificar a facção e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais, em junho de 2026. O subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou que o governo Trump está enfrentando a "crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro dos EUA".
No comunicado, o Departamento do Tesouro chamou o PCC de "maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental" e afirmou que a facção representa uma "ameaça significativa à segurança nacional dos EUA", acusando-a de utilizar o sistema financeiro norte-americano para lavar dinheiro.



