Torcedores do Brasil e do México acordaram na segunda-feira com o gosto amargo das derrotas na Copa do Mundo da FIFA, e duas das maiores cervejeiras do mundo — Anheuser-Busch InBev SA e Heineken NV — provavelmente também sentirão o impacto. Analistas do Morgan Stanley, liderados por Sarah Simon, alertaram que as vendas do terceiro trimestre na América Latina podem ficar aquém das expectativas após a eliminação precoce das seleções brasileira e mexicana no domingo, frustrando as esperanças de um boom no consumo de cerveja que poderia ocorrer caso as equipes avançassem à final em 19 de julho.
Risco para o setor cervejeiro na América Latina
“Acreditamos que a maior parte do aumento no volume de vendas de cerveja se deve a jogos com uma longa sequência de jogos”, escreveram os analistas em comunicado a clientes. O Morgan Stanley apontou a AB InBev, fabricante das marcas Corona e Skol, como a empresa “mais exposta” devido às suas vendas no México e no Brasil, enquanto a Heineken também possui exposição “significativa” na região.
As ações das companhias despencaram na segunda-feira: a AB InBev fechou em queda de mais de 4% em Bruxelas, e a Heineken recuou 1,4% em Amsterdã. A Constellation Brands Inc., que distribui Corona e Modelo nos EUA, encerrou o pregão com baixa de 4,9%, atingindo o menor valor desde 20 de novembro. A Boston Beer Co. e a Molson Coors Beverage Co. também fecharam em queda. Já a Ambev SA, subsidiária brasileira da AB InBev, caiu 2,5% em São Paulo.
Brasil é o maior impacto
O Brasil foi eliminado pela Noruega após dois gols de Erling Haaland, marcando a primeira vez que não chega às quartas de final da Copa desde 1990, quando perdeu para a Argentina de Diego Maradona. O México, por sua vez, foi derrotado pela Inglaterra em um jogo de cinco gols no Estádio Azteca, na Cidade do México. Para Simon e sua equipe, a eliminação brasileira deve ter impacto maior que a mexicana, dado o maior mercado de cerveja do Brasil e as expectativas elevadas para o torneio.
“Consideramos esse impacto negativo principalmente como uma ausência de crescimento incremental que teria ocorrido se qualquer uma das equipes tivesse avançado mais na competição”, explicaram os analistas.
EUA como possível compensação
A atenção agora se volta para a seleção dos Estados Unidos, que enfrenta a Bélgica ainda nesta segunda-feira. Cerca de 20% da receita da AB InBev vem dos EUA, onde a equipe tem tido bom desempenho e recebeu um alívio quando o atacante Folarin Balogun foi liberado para jogar após o presidente Donald Trump pressionar pela anulação de um pênalti marcado contra ele. No entanto, não está claro se isso compensará as perdas na América Latina.
“Considerando a história mais curta do futebol americano no país, o benefício da cerveja em longas distâncias nos EUA é menos testado e pode representar uma surpresa positiva caso a equipe continue progredindo, especialmente levando em conta o contexto do país anfitrião e a dimensão do mercado de cerveja nos EUA”, concluíram os analistas do Morgan Stanley.



