Uma semana depois dos terremotos na Venezuela, o número de mortos subiu para quase 2,3 mil, segundo balanço oficial do governo venezuelano. Mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas em todo o país.
Buscas nos escombros são feitas por familiares e voluntários
Em La Guaira, a área mais devastada, Juan Andrade vasculha os escombros do prédio onde morava. "Toda minha família está aqui atrás: minha mãe, minha irmã, minha sobrinha, minha filha, meu cunhado e minha esposa", disse ele. Todos os dias, ele revira o que restou do edifício, rastejando por passagens estreitas entre blocos de concreto e ferro retorcido. Nos primeiros dias, ajudou a resgatar nove pessoas com vida, mas até agora não encontrou nenhum dos parentes. "Se eu não conseguir salvar os meus, vou salvar quem eu puder", afirma Juan.
São várias histórias como a dele. Em muitos escombros, apenas familiares e voluntários fazem as buscas, porque faltam socorristas. Escavadeiras enviadas pelo governo estão paradas ao lado dos destroços, sem combustível para manter as máquinas em operação.
Sistema de saúde opera no limite
O sistema público de saúde da Venezuela já enfrentava dificuldades antes dos terremotos e agora lida com a pressão de milhares de feridos. Em um hospital de Caracas, os médicos precisam escolher onde usar medicamentos e equipamentos que estão em falta. A prioridade é atender os pacientes mais graves.
Tremores secundários e medo entre a população
Muitos venezuelanos estão apavorados e não querem voltar para casa. Centenas de tremores secundários já foram registrados. "As pessoas me veem dormindo na rua. Eu não estou aqui porque eu quero. Moro no 12º andar e os terremotos foram horrorosos", conta uma moradora de Caracas.
Em La Guaira, torres construídas na década de 1970 desabaram em sequência. A proximidade entre os prédios ampliou a destruição.



