Moradores de La Guaira, cidade epicentro dos terremotos que atingiram a Venezuela, protagonizaram um protesto que obrigou cerca de 20 militares a abandonarem suas armas e participarem ativamente das operações de resgate. Indignados com a inação das Forças Armadas, os civis confrontaram os soldados que estavam no local apenas fazendo segurança e exigiram que ajudassem na remoção de escombros.
Pressão popular contra a lentidão no socorro
Os terremotos, que já deixaram quase 1.500 mortos segundo balanço oficial, geraram enorme frustração entre a população, que critica a demora e a falta de coordenação das autoridades. Em La Guaira, a situação se tornou insustentável quando moradores viram militares parados enquanto voluntários tentavam salvar soterrados. "Eles estavam ali, armados, sem fazer nada. Nós mesmos começamos a cavar e exigimos que eles também trabalhassem", relatou um morador que participou do protesto.
Militares trocam armas por ferramentas
Sob pressão, os militares cederam e passaram a usar pás, picaretas e as próprias mãos para remover os destroços. A cena, registrada por agências de notícias, simboliza o colapso da confiança nas instituições venezuelanas diante da tragédia. Especialistas apontam que a falta de preparo das Forças Armadas para desastres naturais é um problema histórico no país, agravado pela crise política e econômica.
Impacto da tragédia e críticas ao governo
Os terremotos, que atingiram magnitude 7,3 na escala Richter, devastaram diversas cidades do litoral norte venezuelano. Além dos mortos, milhares de feridos e desabrigados sobrecarregam hospitais e abrigos improvisados. Organizações humanitárias denunciam a lentidão do governo de Nicolás Maduro em mobilizar recursos e pedem ajuda internacional. "A população está desamparada. Os militares, que deveriam proteger, estavam apenas de guarda. Foi a indignação popular que os fez agir", afirmou um representante da Defesa Civil local.



