A família do árbitro Raphael Claus vive a expectativa para a estreia do profissional na Copa do Mundo de 2022, neste domingo (21), às 13h, na partida entre Espanha e Arábia Saudita. Antes de cada jogo, a esposa Carolina Claus posiciona dois cartões — um vermelho e outro amarelo — e uma moeda da Copa de 2022 diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida na sala de estar, acendendo uma vela. O ritual inclui orações e torcida por empates, além de comemorações quando o árbitro aplica cartões.
Preparação espiritual e objetos simbólicos
Devotos de Nossa Senhora Aparecida, os familiares visitaram o santuário em Aparecida (SP) para agradecer as convocações para a Copa em 2022 e neste ano. "A gente deixa [os objetos] e faz uma oração. E aí assiste o jogo e deixa na nossa sala, que tem uma Nossa Senhora. A gente é muito devoto de Nossa Senhora. Até quando saiu a convocação dele para as duas Copas nós fomos lá em Aparecida agradecer. A gente deixa a nossa vela e fica na torcida", explicou Carolina.
"Estamos com muitas expectativas. Sempre ansiosos para ver a estreia dele, porque a Copa do Mundo a gente sabe o tanto que ele se dedicou, o quanto foi difícil pra ele chegar lá. Então a gente está com a ansiedade lá em cima", completou a esposa.
Torcer pelo empate e comemorar cartão vermelho
Torcer para um árbitro é diferente de apoiar um jogador. Carolina prefere acompanhar cada lance com atenção, observando se o marido está apitando bem. "A gente torce para não dar nenhuma polêmica, então eu quero que a bola fique só no meio do campo e que fique empatado o jogo. É, porque aí se ninguém ganha, todo mundo fica feliz, né? Porque quando um ganha e o outro perde, sempre tem um que reclama", disse.
Lucca Claus, de 8 anos, guarda detalhes da carreira do pai, como o início em 2002 e a estreia na Copa de 2022 na partida entre Inglaterra e Irã (6 a 2). "[No jogo], eu torço para o meu pai dar o melhor. Quando ele dá cartão vermelho e eu acho que é certo, eu comemoro. [...] Assim como meu pai, eu vou ser jogador de futebol e eu também quero ser árbitro. Quando eu me aposentar vou virar juiz", contou Lucca.
Três árbitros brasileiros na Copa
Para a atual edição da Copa do Mundo, com 104 partidas, foram selecionados 52 árbitros, 87 auxiliares e 30 árbitros de vídeo. Além de Raphael Claus, outros dois brasileiros foram escolhidos: Ramon Abatti Abel e Wilton Pereira Sampaio. O quadro brasileiro conta ainda com cinco bandeirinhas: Bruno Boschillia, Bruno Pires, Danilo Manis, Rodrigo Figueiredo e Rafael Alves. Rodolpho Toski Marques atuará como VAR.
Caso o Brasil avance para as fases finais, a arbitragem brasileira volta para casa mais cedo. Carolina disse que torce pelo hexa, mas prioriza a carreira do marido: "Eu torço mais para o Rapha. Lógico que a gente torce para o Brasil, mas a gente sabe que se o Brasil for desclassificado, ele tem chance de apitar uma semifinal, dependendo do desempenho dele. Então, a gente fica meio dividido e com o coração partido".
Como um árbitro é escolhido?
Segundo a Fifa, os árbitros passaram por um processo de seleção de cerca de três anos, seguindo o princípio de "qualidade em primeiro lugar". Foram considerados fatores como consistência de desempenho em torneios internacionais e nacionais. Nesse período, Raphael seguiu uma rotina regrada, com treinos diários, e a família enfrentou privações, perdendo até festas de fim de ano para que ele alcançasse a convocação. "Para chegar lá não foi fácil. Eu que acompanhei essa trajetória e foi muita dedicação. Foi bem emocionante ver ele apitar, porque acho que é onde todo mundo quer chegar, né? Eu acho que a Copa do Mundo, para uma carreira dos jogadores ou dos árbitros, eu acho que é o auge, assim, é onde todos querem estar", finalizou Carolina.



