Valentina Lima Nobre, de 11 anos, permanece intubada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e em coma induzido há mais de uma semana, após ser picada por um escorpião escondido em seu tênis enquanto se arrumava para ir à escola, no Distrito Federal. O acidente ocorreu no dia 11 de junho, no Riacho Fundo I. A criança afirmou à família que sentiu três picadas do animal até conseguir retirar o calçado.
Piora e internação
Na madrugada seguinte ao ataque, Valentina foi intubada em um hospital particular de Brasília após uma piora nos sinais vitais. Desde então, e até a noite deste sábado (20), ela ainda não havia retomado a consciência. O cunhado da menina, Thiago Saúde, informou à TV Globo que a criança passou por uma avaliação neurológica neste sábado, mas o resultado ainda não havia sido comunicado à família até o fim do dia. Segundo a equipe médica, apesar do coma induzido e do quadro grave, os órgãos da criança estão preservados.
Família culpa atraso no atendimento
A família de Valentina acredita que a gravidade do quadro se deve a sucessivos atrasos e barreiras no atendimento do Samu e da rede pública de saúde. "O que está prejudicando a recuperação da Valentina foi o tempo que perdemos no transporte. Não temos data, não temos previsão de quando a Valentina pode sair do coma induzido", afirmou Thiago Saúde à TV Globo. Segundo ele, no dia da picada, a família perdeu quase oito horas levando Valentina de um lado para outro até conseguir um leito de UTI e uma ambulância para transferi-la para o hospital particular Santa Lúcia, na Asa Norte. "Nesse período, ela [Valentina] começou a entortar o rosto, a boca, a língua, as mãos. E vomitava muito no carro. Por volta de 3h [de sábado], ela foi intubada e não voltou ainda. Ela está em coma induzido, em estado grave. Teve uma parada de 40 minutos, outra de cinco e outra de três", enumerou Thiago.
A família relatou ainda que Valentina chegou a ser colocada em uma ambulância, mas foi retirada do veículo a pedido de um médico que queria dar prioridade a outra criança. Em nota ao g1, sem citar o caso específico, a Secretaria de Saúde do DF afirmou que as transferências de pacientes "seguem protocolos assistenciais e critérios técnicos de regulação, com avaliação contínua das condições clínicas e da urgência de cada caso". A pasta acrescentou que "os casos classificados como mais graves têm prioridade no encaminhamento e na utilização dos recursos de transporte e assistência especializada".
Aumento de casos de escorpião no DF
Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), foram registrados 1.974 acidentes envolvendo escorpiões neste ano, sendo 32 deles classificados como graves. No mesmo período do ano passado, foram notificados 1.855 casos, o que representa um aumento de 6,4% no número de ocorrências em 2026. As regiões com maior incidência até o momento são Estrutural, São Sebastião e Planaltina.
Orientações em caso de picada
O governo do DF orienta que, em caso de picada de escorpião, a vítima deve: lavar o local com água e sabão para remover sujeira; elevar a parte do corpo afetada para evitar que o veneno se espalhe rapidamente; procurar atendimento médico imediatamente; e informar qual animal picou para que o tratamento seja mais eficaz. Se possível e seguro, é recomendado tirar uma foto do animal.
Soro antiescorpiônico
O soro antiescorpiônico é indicado apenas nos casos mais graves, envolvendo crianças, idosos ou adultos extremamente debilitados ou desnutridos. Ele está disponível nos seguintes hospitais da rede pública do DF: Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib); Hospital Regional da Asa Norte (Hran); Hospital Regional do Guará (HRGU); Hospital Regional de Brazlândia (HRBz); Hospital da Região Leste (Paranoá); Hospital Regional de Ceilândia (HRC); Hospital Regional do Gama (HRG); Hospital Regional de Santa Maria (HRSM); Hospital Regional de Planaltina (HRPL); Hospital Regional de Sobradinho (HRS); e Hospital Regional de Taguatinga (HRT).



