Colômbia: ultradireitista 'Tigre' vs. filósofo k-popper na eleição
Ultradireitista 'Tigre' vs. filósofo k-popper na eleição colombiana

A Colômbia vai às urnas neste domingo (21) para decidir entre dois candidatos radicalmente opostos: o ultradireitista Abelardo de la Espriella, conhecido como "El Tigre", e o filósofo de esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro. Espriella lidera as pesquisas e, se eleito, encerrará o primeiro governo de esquerda do país, marcado por mais de seis décadas de conflito armado interno.

O estilo teatral de Espriella

Sem experiência em cargos públicos, Espriella construiu uma figura quase teatral. Seu gesto característico é a continência militar: ao final de cada discurso, leva a mão direita à testa e grita "Firme pela pátria!". Embora não tenha formação militar, inspirou apoiadores a adotar a saudação. Seus comícios são frequentemente acompanhados por militares reformados em trajes camuflados, que se alinham durante o hino nacional. Em seus discursos, ele exalta o trabalho dos soldados e promete realizar sua posse em um batalhão, caso eleito. Uma comissão surgida do acordo com as Farc estimou que pelo menos 403 mil membros da força pública foram vítimas durante o conflito armado.

A origem do apelido 'El Tigre'

O apelido de Espriella foi inspirado por uma declaração do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), que apoia o ultradireitista após a derrota de seu partido no primeiro turno. Em 2024, Uribe afirmou que a Colômbia precisava de "um tigre" ou "uma tigresa" na Presidência. Espriella assumiu a imagem do felino, assim como o argentino Javier Milei adotou o leão e o americano Donald Trump a águia-careca. Sua campanha também usa vídeos de inteligência artificial e fogos de artifício.

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K-popers na campanha de Cepeda

Do outro lado, Iván Cepeda, senador e filósofo de 63 anos, aposta nos fãs de K-pop para dinamizar sua campanha, considerada sóbria por especialistas. Seu gesto simbólico é o "coração coreano": cruzar a ponta do indicador e o polegar formando um pequeno coração. Jovens da geração Z, fãs de BTS e outros grupos, organizaram-se para apoiar Cepeda com danças, cartazes e vídeos, além de encontros presenciais, sobretudo em Bogotá. "Os k-popers são uma força mobilizadora incrível", afirmou um assessor da campanha de Cepeda, em entrevista à Reuters.

A camisa da seleção como símbolo político

A camisa amarela da seleção colombiana tornou-se símbolo da direita. Durante a campanha para a Copa do Mundo de 2026, Espriella e seus seguidores usaram a camisa, gerando críticas da esquerda, que os acusou de se apropriar de um símbolo nacional. Muitos apoiadores votaram no primeiro turno vestindo camisas com nomes de jogadores como James Rodríguez e Luis Díaz. A estratégia é similar à do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que também usou a camisa verde e amarela como símbolo. Em resposta, Petro e alguns ministros também vestiram a camisa para tentar desvinculá-la da direita. No início de junho, uma juíza proibiu Espriella de usar a camisa como símbolo, mas a Suprema Corte suspendeu a decisão em seguida.

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