Terremoto histórico na Venezuela testa apoio dos EUA e nova ordem política
Terremoto histórico na Venezuela testa apoio dos EUA

O terremoto mais forte em um século atingiu a Venezuela nesta terça-feira, devastando Caracas e outras regiões, com um saldo preliminar de centenas de mortos e destruição generalizada. O tremor de magnitude 7,8 na escala Richter ocorre em um momento de frágil transição política e econômica, cinco meses após a intervenção do governo Trump, que capturou o ditador Nicolás Maduro e sua esposa Cilia e colocou no comando do país a vice-presidente Delcy Rodríguez.

Tragédia em meio à reestruturação da dívida

O desastre natural acontece justamente quando o país se preparava para divulgar a reestruturação da dívida de US$ 240 bilhões (cerca de R$ 1,2 trilhões), a maior da história, superando em torno de US$ 100 bilhões (R$ 520 bilhões) as projeções anteriores. A tragédia, que se revela mais grave com o passar das horas, testará o apoio dos EUA em ajuda humanitária e nos esforços para a recuperação do país, em sua nova conjuntura política.

A troca de comando na Venezuela ocorreu sob a batuta de Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, que optaram por preservar a estrutura chavista. Com Maduro preso, à espera de julgamento por acusações de narcoterrorismo, os EUA empreenderam a retomada das relações diplomáticas com a Venezuela, aliviando pesadas sanções e assumindo a gestão e a venda de grandes estoques de petróleo venezuelano.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Declarações de Trump e Delcy Rodríguez

Em comício na Pensilvânia, Trump declarou: “Estamos ganhando muito dinheiro com a Venezuela. E a Venezuela está indo muito bem. Também temos um país — é um país feliz agora”. A presidente interina Delcy Rodríguez, por sua vez, considerou que a captura de Maduro, em 3 de janeiro, marcou um ponto de virada. “Já se passaram seis meses e sinto que foi o caminho certo”, resumiu.

Delcy se revelou pragmática e seguiu as instruções de Washington. Para consolidar o poder, substituiu aliados de Maduro, abriu a economia e permitiu operações militares americanas no país. A grande maioria dos venezuelanos ainda amarga dificuldades, com a inflação anual estimada em 524%. Cerca de 2.200 presos políticos foram liberados, mas ainda há 600 encarcerados.

Impacto do terremoto e perspectivas

O terremoto, contudo, muda os prognósticos otimistas. Uma estimativa preliminar do Serviço Geológico dos EUA prevê perdas de até US$ 100 bilhões. Os serviços de saúde em colapso e a escassez crônica de suprimentos básicos como alimentos e medicamentos são fortes indicativos da falta de preparo do país para enfrentar uma tragédia dessa magnitude.

Vídeos mostram o momento do tremor e a destruição em Caracas, com edifícios desabando. O país enfrenta agora o desafio de lidar com a crise humanitária, enquanto a aliança com os EUA será testada na prática.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar