O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu 0,7% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, superando as estimativas dos analistas, que previam alta de 0,4%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço foi de 2,3%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC).
Consumo impulsiona crescimento
O resultado positivo foi impulsionado principalmente pelos gastos dos consumidores, que registraram aumento de 1,2% ante o trimestre anterior. Esse crescimento ocorre apesar de desafios como o desemprego em alta e salários que não acompanham a inflação. A taxa de desemprego subiu para 7,8% no primeiro trimestre, ante 7,2% no trimestre anterior.
Segundo analistas, o consumo tem sido sustentado por uma leve melhora na confiança do consumidor e por políticas de estímulo do governo. No entanto, a inflação anual ainda gira em torno de 80%, pressionando o poder de compra das famílias.
Perspectivas para 2026
O governo de Javier Milei projeta crescimento contínuo da economia até o final de 2026, impulsionado por exportações agrícolas e de energia. O setor agropecuário cresceu 3,5% no trimestre, beneficiado por condições climáticas favoráveis e preços internacionais elevados. As exportações totais aumentaram 4,2% no período.
Entretanto, o desemprego é uma preocupação crescente. O economista-chefe de uma consultoria local, Martín Vauthier, afirmou: "O crescimento econômico é bem-vindo, mas sem geração de empregos de qualidade, a recuperação será frágil". O governo espera que a reforma trabalhista em andamento ajude a criar postos de trabalho formais.
Reações do mercado
O mercado financeiro reagiu positivamente aos dados, com o índice Merval subindo 1,5% no dia. O risco-país caiu 10 pontos, para 1.200 pontos. O ministro da Economia, Luis Caputo, comemorou: "Os números mostram que estamos no caminho certo. O ajuste fiscal está dando resultados e a economia está reagindo".
Analistas internacionais, no entanto, mantêm cautela. O Fundo Monetário Internacional (FMI), que mantém um programa de empréstimos com a Argentina, destacou que a sustentabilidade do crescimento depende do controle da inflação e da manutenção do ajuste fiscal.



