Chanceleres do Mercosul manifestaram neste sábado (29) apoio ao presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, às vésperas da cúpula do bloco em Assunção, no Paraguai. A declaração ocorre em meio a semanas de protestos e bloqueios que paralisaram o país andino, gerando escassez de alimentos e combustíveis.
Condenação aos bloqueios e defesa da democracia
Em comunicado conjunto, os chanceleres condenaram os bloqueios e atos de violência, e reafirmaram o compromisso com a estabilidade democrática na região. A crise boliviana, considerada a pior em décadas, levou o governo a decretar estado de emergência em diversas regiões.
O presidente Paz agradeceu o apoio do bloco, afirmando que a solidariedade regional é fundamental para superar o momento difícil. "A Bolívia enfrenta desafios econômicos e sociais, mas com a união dos países irmãos, sairemos mais fortes", declarou.
Início de negociações com o Japão
A reunião de chanceleres também marcou o início formal das negociações para um acordo econômico entre o Mercosul e o Japão. O bloco sul-americano busca ampliar parcerias comerciais, e o Japão é visto como um parceiro estratégico para diversificar exportações e atrair investimentos.
Segundo o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez, as conversas preliminares indicam interesse mútuo em áreas como tecnologia, agronegócio e energia renovável. "É um passo importante para a inserção internacional do Mercosul", disse.
Impacto da crise boliviana na região
A crise na Bolíva gerou preocupação nos países vizinhos, que temem efeitos de contágio econômico e social. Os bloqueios de estradas, organizados por setores opositores ao governo, já causaram prejuízos estimados em US$ 500 milhões, segundo a Câmara de Comércio boliviana.
A cúpula presidencial do Mercosul, marcada para domingo (30), deve aprovar uma declaração conjunta de apoio à Bolívia e discutir medidas para mitigar os impactos da crise. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, já confirmou presença no encontro.



