Colômbia: vitória de De La Espriella marca nova onda antissistema
Colômbia: De La Espriella vence e marca onda antissistema

Derrota do governo e alegações de fraude

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, recusou-se a reconhecer imediatamente a derrota de seu candidato, Iván Cepeda, nas eleições presidenciais, alegando "fraude". No entanto, a Registraduría, órgão responsável pela apuração dos votos, confirmou a vitória do oposicionista Abelardo de la Espriella. O novo presidente eleito é o mais recente político dito "antissistema" a derrotar o partido no poder, fenômeno que vem ganhando força globalmente.

Contexto regional: onda de direita ou cansaço eleitoral?

Embora muitos analistas apontem para uma guinada à direita na América do Sul – com triunfos eleitorais de Javier Milei na Argentina, Rodrigo Paz na Bolívia e José Antonio Kast no Chile –, o resultado colombiano parece refletir um cansaço generalizado do eleitorado com os governantes atuais, beneficiando candidatos outsiders. Atualmente, com exceções como o Brasil, a maioria dos países sul-americanos é governada pela direita, ao contrário do início dos anos 2000, quando a esquerda dominava a região na chamada "onda rosa".

Complexidade da nova onda política

Contudo, é preciso matizar as cores dessas ondas. A onda de esquerda ocorreu em um momento em que o discurso antissistema não era tão prevalente. Hoje, a onda azul engloba tanto políticos com longa carreira pública, como Paz e Kast, quanto neófitos estridentes, como Milei e De La Espriella. A rejeição ao único governo de esquerda da Colômbia, que implementou uma política de "paz total" que agravou a violência, não garante governabilidade fácil para De La Espriella.

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Desafios do novo presidente

A vitória de De La Espriella foi incontestável, mas por margem estreita: cerca de 250 mil votos o separam de Cepeda. Suas propostas para lidar com a violência, um dos principais traumas históricos do país, são controversas. A população, vítima de criminosos e guerrilhas, pode ter optado por ele por esperança ou desespero. No entanto, se quiser melhorar a segurança, o futuro presidente precisará buscar inspiração além de seu homólogo salvadorenho, Nayib Bukele. Políticas de encarceramento em massa e supressão de direitos humanos podem aplacar a raiva, mas cobram um preço elevado sem garantir paz estável. Na Colômbia, é indispensável responsabilidade política para lidar com a legítima angústia da população.

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