Fim da produção de halotano ameaça cirurgias pediátricas na África até 2027
Halotano: anestésico infantil pode acabar na África até 2027

Hospitais de países africanos correm o risco de ficar sem o halotano, principal anestésico usado em cirurgias pediátricas, até 2027. A ameaça decorre do fim da produção global do medicamento, que ainda é o anestésico mais utilizado em crianças na África Subsaariana devido ao seu baixo custo.

Impacto iminente na capacidade cirúrgica

O halotano é essencial para procedimentos cirúrgicos em crianças, especialmente em regiões com recursos limitados. A interrupção da produção pode paralisar cirurgias pediátricas, afetando milhares de pacientes. A ONG Smile Train, que realiza cirurgias de fissura labial e palatina, alerta para a urgência da situação.

Segundo a organização, a transição para o sevoflurano, um anestésico mais moderno, exige investimentos significativos em novos equipamentos de vaporização, que muitos hospitais africanos não têm condições de adquirir. "O halotano é a espinha dorsal da anestesia pediátrica na região. Sem ele, as cirurgias podem ser drasticamente reduzidas", afirma um representante da Smile Train.

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Dados e alertas

Estima-se que cerca de 80% das cirurgias pediátricas na África Subsaariana dependam do halotano. A produção global do fármaco está programada para cessar até 2027, sem substituto de custo equivalente disponível. A Smile Train já iniciou campanhas para pressionar governos e fabricantes a garantir estoques e financiar a transição para alternativas seguras.

"É uma corrida contra o tempo. Precisamos de ação imediata para evitar uma crise humanitária", acrescenta a ONG. A capacidade cirúrgica pode ser reduzida em até 50% em alguns países, caso a escassez se concretize.

Alternativas e desafios

O sevoflurano, embora mais seguro e eficaz, custa até cinco vezes mais que o halotano e requer máquinas de anestesia específicas. A maioria dos hospitais públicos africanos não dispõe desses equipamentos, nem de recursos para treinamento de equipes. Além disso, a infraestrutura elétrica e de manutenção é precária, dificultando a adoção de novas tecnologias.

"Não se trata apenas de comprar o medicamento, mas de todo um sistema que precisa ser adaptado", explica um especialista em saúde pública. A situação é crítica em países como Malawi, Zâmbia e Moçambique, onde o halotano é a única opção viável para anestesia infantil.

Mobilização necessária

A Smile Train e outras organizações de saúde pedem que governos africanos e agências internacionais, como a OMS, priorizem a manutenção do fornecimento de halotano ou acelerem a transição para alternativas acessíveis. Enquanto isso, hospitais tentam estocar o medicamento, mas a produção limitada e a alta demanda global tornam a tarefa difícil.

O futuro das cirurgias pediátricas na África Subsaariana depende de decisões rápidas e coordenadas. Até 2027, o cenário pode ser de colapso se nada for feito.

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