A indústria de carne de cachorro na Coreia do Sul está em declínio acentuado antes da entrada em vigor da proibição total, prevista para 2027. Em 2024, o parlamento sul-coreano aprovou uma lei que proíbe a criação, abate e venda de cães para consumo humano, com penas de até três anos de prisão para infratores. No entanto, o destino de milhares de cães permanece incerto, com relatos de desaparecimentos e suspeitas de abates em massa antes da vigência da lei.
Declínio da indústria e transição de criadores
O consumo de carne de cachorro, historicamente praticado por uma minoria na Coreia do Sul, vem perdendo popularidade nos últimos anos. Segundo dados do governo, o número de fazendas de criação de cães para abate caiu de cerca de 1.600 em 2020 para menos de 800 em 2025. A lei de 2024 oferece suporte financeiro para criadores que desejam encerrar suas atividades ou migrar para outras áreas, como agricultura ou pecuária. No entanto, muitos criadores ainda resistem, e ativistas denunciam que cães estão sendo abatidos ilegalmente antes do prazo final.
Desaparecimento de cães gera alerta
Organizações de proteção animal relataram o desaparecimento de mais de 2.000 cães de fazendas entre janeiro e maio de 2026. “Suspeitamos que muitos desses animais foram abatidos de forma clandestina para evitar custos de manutenção até a proibição”, afirmou Kim Min-ji, representante da ONG Save Korean Dogs. O governo, por sua vez, nega a existência de abates em massa e afirma que os cães foram realocados para abrigos ou adotados. No entanto, ativistas apontam a falta de transparência nos registros oficiais.
Impacto da proibição e próximos passos
A lei aprovada em 2024 representa uma mudança cultural significativa na Coreia do Sul. Embora o consumo de carne de cachorro nunca tenha sido generalizado — estima-se que menos de 10% da população já tenha experimentado o prato —, a prática era tolerada por décadas. Com a proibição, o país se alinha a padrões internacionais de bem-estar animal. A partir de 2027, qualquer pessoa envolvida na cadeia de produção de carne de cachorro poderá ser condenada a até três anos de prisão ou multa. O governo planeja campanhas de conscientização e fiscalização rigorosa para garantir o cumprimento da lei.
Reações e desafios
A proibição foi recebida com entusiasmo por ativistas dos direitos dos animais, mas gerou críticas de criadores e consumidores tradicionais. “É uma interferência injusta em nossas tradições e meios de subsistência”, disse Park Seo-joon, presidente da Associação de Criadores de Cães da Coreia. Por outro lado, a maioria da população apoia a medida: uma pesquisa de 2025 indicou que 78% dos sul-coreanos são favoráveis à proibição. O principal desafio agora é garantir que os cães restantes sejam tratados com dignidade durante a transição.



