Pastor morre em terremoto na Venezuela; família luta para trazer corpo
Pastor morre em terremoto na Venezuela; família luta por traslado

O pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, morreu na madrugada de quinta-feira (25) em decorrência dos ferimentos sofridos durante os terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24). Ele estava em viagem com a esposa, Carlha Nacarid, para celebrar seu aniversário e visitar familiares em Caracas. O casal foi surpreendido pelos tremores e tentou se abrigar, mas uma parede desabou sobre os dois. Romildo foi resgatado com vida e levado a um hospital, mas não resistiu. Carlha sobreviveu e permanece internada com uma fratura na bacia, profundamente abalada pela perda do marido.

Quem era o pastor

Natural de Chapada de Minas (MG), Romildo havia construído a vida em Uberlândia, onde morava há mais de dez anos. Pastor, era lembrado pela família como um homem de fé, afetuoso e apaixonado por viajar. A viagem que marcou seus 69 anos acabou sendo a última. As informações foram confirmadas à família pela esposa e repassadas ao g1 pela sobrinha Jhulya Ribeiro de Lima. "Meu tio era uma pessoa muito boa, uma pessoa radiante, que adorava viajar e aproveitar a vida. É muito triste ver pessoas assim perderem a vida dessa forma, ainda mais com tal grau de descaso", lamentou Jhulya.

Os terremotos na Venezuela

Na noite de quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. O número de mortos subiu para 1.430 pessoas no sábado (27), segundo balanço atualizado do governo venezuelano. O novo balanço também aponta 3.000 feridos e 3.100 pessoas desabrigadas devido ao desastre.

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Dificuldades para repatriar o corpo

A família de Romildo no Brasil soube do ocorrido de forma inesperada. A irmã dele viu uma reportagem na televisão sobre o terremoto e tentou contato com o casal. Inicialmente, não conseguiu porque o celular havia sido perdido no desastre. Horas depois, Carlha restabeleceu o contato e contou o que aconteceu. Desde então, a família enfrenta dificuldades para trazer o corpo de Romildo de volta ao Brasil. Segundo os parentes, o Consulado foi procurado para orientar o traslado, mas até o momento não houve definição sobre os próximos passos. Até sexta-feira, a família também não havia recebido a certidão de óbito. "Seguimos sem resposta. É muito desesperador porque queremos trazer meu tio, principalmente para fazer um velório digno para ele. Eles ficam jogando o contato um para o outro", relatou a sobrinha.

Posição do Itamaraty

A reportagem entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) para confirmar se Romildo está entre os brasileiros mortos identificados oficialmente. Em nota, o Itamaraty informou que, devido ao direito à privacidade e em observância à Lei de Acesso à Informação e ao decreto 7.724/2012, não divulga ou confirma informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros. Na quarta, o governo federal confirmou a morte de dois brasileiros, um homem e uma mulher, que não tiveram as identidades reveladas. "O MRE informa, com grande pesar, o falecimento de uma cidadã e um cidadão brasileiros em consequência dos terremotos que atingiram a Venezuela. O MRE informa estar prestando assistência consular às famílias das vítimas", disse em comunicado.

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