A ativista polonesa Monika Silva Koniuszek, de 41 anos, foi assassinada enquanto investigava denúncias de corrupção e crimes ambientais envolvendo a empresa da família do presidente do Equador, Daniel Noboa. A conclusão é da autópsia, que contradiz a versão inicial das autoridades locais de que se tratava de um suicídio.
Autópsia revela indícios de homicídio
Segundo o laudo pericial, divulgado nesta segunda-feira (22), a causa da morte foi asfixia por estrangulamento, combinada com um golpe contundente na cabeça. Os peritos descartaram a hipótese de suicídio, inicialmente sustentada pela polícia equatoriana. O corpo foi encontrado no dia 10 de junho em uma residência na cidade costeira de Montañita, província de Santa Elena, onde a ativista morava.
Monika, de nacionalidade polonesa, dedicava-se à investigação de denúncias de corrupção e crimes ambientais. Nos últimos meses, ela havia focado suas apurações em supostas irregularidades cometidas por uma empresa ligada à família do presidente Daniel Noboa. A ativista teria reunido um dossiê com evidências, que foi entregue à embaixada dos Estados Unidos em Quito pouco antes de sua morte.
Ameaças e contexto de violência
De acordo com amigos e colegas de ativismo, Monika vinha recebendo ameaças de morte e pressões para interromper suas investigações. O assassinato ocorre em um contexto de crescente violência contra defensores ambientais no Equador. Dados da organização Global Witness indicam que o país é um dos mais perigosos para ativistas ecológicos na América Latina.
A Polônia, país de origem da vítima, e a União Europeia emitiram notas oficiais exigindo uma investigação transparente e imparcial. O governo polonês afirmou que acompanhará de perto as apurações e não descarta a possibilidade de solicitar a cooperação de organismos internacionais, como a Interpol.
Reações e pressão por justiça
Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, condenaram o assassinato e pediram que as autoridades equatorianos investiguem a fundo o caso, incluindo a possível participação de agentes estatais ou de grupos ligados aos interesses investigados pela ativista.
Até o momento, a Presidência do Equador não se manifestou oficialmente sobre o laudo da autópsia. A polícia local informou que as investigações estão em andamento, mas não há suspeitos identificados publicamente.
O caso de Monika Silva Koniuszek reacende o debate sobre a proteção de ativistas ambientais e a impunidade em crimes contra defensores de direitos humanos na região.



