O catarinense Alejo Muniz se despediu do Circuito Mundial de Surfe neste fim de semana, em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Eliminado por Ethan Ewing em sua última participação como atleta do Championship Tour (CT), o surfista de 33 anos celebrou o legado de resiliência construído ao longo de mais de uma década na elite do esporte.
Última bateria e emoção à flor da pele
Na praia de Itaúna, Alejo enfrentou o australiano Ethan Ewing, atual número 5 do ranking mundial, em uma bateria que marcou o fim de sua jornada no CT. Apesar da derrota, o brasileiro deixou a água com um sorriso no rosto e o coração grato. “Só consigo pensar em gratidão. Foram muitos anos de dedicação, altos e baixos, mas cada momento valeu a pena”, disse o atleta em entrevista exclusiva.
A eliminação ocorreu na terceira fase do evento, quando Alejo precisava de uma vitória para seguir na competição. Com ondas menores e menos consistentes, ele não conseguiu superar o desempenho de Ewing, que avançou às oitavas de final. O resultado, porém, não ofuscou a importância do momento para o surfista.
Trajetória de superação
Alejo Muniz estreou no CT em 2011 e, desde então, construiu uma carreira marcada por desafios. Em 2017, sofreu uma grave lesão no ombro que o afastou das competições por meses. A recuperação exigiu cirurgia e fisioterapia intensa, mas ele retornou ao circuito em 2018, provando sua resiliência. “Cada lesão, cada derrota me ensinou algo. Hoje, olho para trás e vejo que tudo isso me fez mais forte”, afirmou.
Além da lesão, Alejo enfrentou a pressão de manter-se na elite em um esporte cada vez mais competitivo. Em 2022, ele ficou próximo do rebaixamento, mas conseguiu se manter no CT com uma campanha consistente no fim da temporada. Sua permanência no circuito por 13 temporadas é um feito raro entre os brasileiros.
Legado e futuro
Com a saída do CT, Alejo planeja dedicar-se a novos projetos, incluindo o desenvolvimento de jovens talentos em Santa Catarina. “Quero retribuir tudo o que o surfe me deu. Vou trabalhar para formar a próxima geração de surfistas brasileiros”, revelou. Ele também pretende participar de eventos especiais e competições menores, mas sem a rotina intensa do circuito mundial.
O legado de Alejo Muniz vai além dos resultados. Ele é lembrado por sua postura dentro e fora d’água, sempre respeitando adversários e fãs. “Alejo é um exemplo de profissionalismo e determinação. Sua história inspira muitos jovens”, destacou o presidente da Confederação Brasileira de Surfe, em comunicado oficial.
Números da carreira
Ao longo de 13 anos no CT, Alejo disputou mais de 150 baterias, conquistou dois títulos de etapas (ambos em 2011 e 2014) e alcançou o 9º lugar no ranking mundial em 2014. Sua melhor temporada foi em 2014, quando chegou às finais de três eventos. Ele também representou o Brasil em campeonatos mundiais e foi campeão brasileiro em 2010.
Em Saquarema, a torcida local fez questão de homenageá-lo com faixas e gritos de incentivo. “É emocionante ver o carinho do público. Saquarema sempre foi especial para mim”, disse Alejo, que tem uma casa na região e já venceu o evento local em 2013.
O futuro do surfe brasileiro
Com a saída de Alejo, o Brasil mantém uma forte presença no CT, com nomes como Gabriel Medina, Filipe Toledo e Italo Ferreira. No entanto, a experiência de Alejo será sentida, especialmente entre os mais jovens. “Ele é uma referência. Aprendi muito com ele dentro e fora da água”, afirmou o surfista Yago Dora, também catarinense.
Alejo Muniz se despede do Circuito Mundial, mas seu legado de resiliência e gratidão permanecerá vivo no surfe brasileiro. Como ele mesmo disse: “O surfe me deu tudo. Agora é hora de retribuir.”



