Endrick quase ficou fora de escolinha por falta de R$ 20; ex-técnica conta
Endrick quase ficou fora de escolinha por falta de R$ 20

O atacante Endrick Felipe Moreira de Sousa, destaque da Seleção Brasileira e atual camisa 19, quase ficou fora de uma escolinha de futebol em Goiás porque a família não tinha condições de pagar uma mensalidade de R$ 20. A revelação foi feita por Marília Rocha, empresária e ex-treinadora do jogador, que decidiu ajudar o menino após perceber seu potencial ainda nos primeiros treinos.

Primeiros passos em Valparaíso de Goiás

Em entrevista à TV Anhanguera, Marília contou que conheceu Endrick quando ele tinha apenas 4 anos, na escolinha Gol de Letra, em Valparaíso de Goiás. Segundo ela, o pai do atleta, Douglas Sousa, insistiu para que o filho tivesse uma oportunidade, mesmo sendo mais novo do que os demais alunos. "Nessa época, eu não trabalhava com atletas tão novinhos, mas o Douglas levou o Endrick até a minha escola e pediu uma oportunidade. Logo de início, eu pensei: 'não, ele é muito novo, ele vai chorar', pelo fato de treinar com os meninos mais velhos", relembrou.

Talento reconhecido e apoio financeiro

Após observar o desempenho do garoto, a treinadora disse que percebeu que ele tinha algo diferente. "Terminou o treino, e o pai veio conversar comigo. Eu falei para ele que o filho dele tinha algo especial. E ele falou: 'Marília, eu não tenho essa condição de ter meu filho aqui, de comprar material'. E eu falei: 'não, você não vai precisar'. A partir daquele momento eu ia adotá-lo", contou. A mensalidade de R$ 20, que impedia a matrícula, foi custeada por Marília.

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Personalidade destemida e liderança

Segundo Marília, Endrick chamava atenção pela energia e pela personalidade dentro de campo desde os primeiros dias. "Coloquei o Endrick no campo e ele era um espoleta. Ele era muito custoso. Ele não tinha medo, ele era destemido, ele corria o campo inteiro. Eu vi muita garra, muita força, muita energia", afirmou. A ex-treinadora também lembra que o atacante sempre demonstrou liderança e competitividade. "Ele queria ser o camisa 10, ele queria ser o capitão, era ele que queria bater os pênaltis", disse.

Relação além do futebol

Com o passar do tempo, a relação entre os dois ultrapassou o ambiente esportivo. Marília afirma que Endrick passou a fazer parte da rotina da família. "O Endrick não foi um simples aluno. Eu não fui só uma treinadora do Endrick. O Endrick teve um convívio dentro da minha casa. Tinha a comida preferida dele, tinha o cantinho dele de guardar as roupas dele", relatou.

Busca por visibilidade e sucesso

À medida que o jogador se destacava nos campeonatos, Marília percebeu que seria necessário buscar desafios maiores para que ele ganhasse visibilidade. Ela firmou uma parceria com uma escolinha em Brasília e passou a levar Endrick para treinar três vezes por semana. "Conversei com o pai dele e expliquei: 'Olha, o Endrick é um menino diferente, ele precisa de visibilidade, de participar de bons campeonatos e ser visto'. Ele falou para mim: 'Marília, eu não tenho condições financeiras de levar o meu filho para treinar em outro local'. E eu falei: 'você não vai se preocupar. A responsabilidade de levar o Endrick, de acompanhar nos jogos, qualquer coisa é comigo'", lembrou. Segundo a ex-técnica, os resultados apareceram rapidamente. Endrick costumava terminar os campeonatos entre os artilheiros, desempenho que passou a chamar a atenção de clubes de todo o país.

Consolidação como promessa do futebol brasileiro

Hoje, consolidado como uma das principais promessas do futebol brasileiro, o atacante segue carregando consigo a lembrança dos primeiros passos dados nos campos de Goiás. A história de superação e apoio familiar e de mentores como Marília Rocha serve de inspiração para jovens atletas que enfrentam dificuldades financeiras no início da carreira.

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