A De Beers promoveu alguns dos cortes mais profundos já feitos em seus preços oficiais de diamantes, o que pode sinalizar o fim de uma estratégia mantida por anos para sustentar os valores bem acima dos praticados no mercado.
A mineradora normalmente evita reduzir preços porque sua influência desproporcional sobre o setor faz com que um movimento desse tipo possa afetar o sentimento geral do mercado. Em vez disso, a unidade da Anglo American vinha vendendo pedras com desconto em negociações reservadas, enquanto mantinha os preços oficiais bem acima da cotação corrente em algumas categorias.
Fim da estratégia de sustentação de preços
Esse esforço prolongado para sustentar os valores chegou ao fim na segunda-feira, quando a empresa promoveu cortes amplos nos preços cobrados em quase todas as categorias de diamantes que comercializa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Agora, os preços estão muito mais próximos dos praticados no mercado secundário, onde traders, lapidadores e polidores negociam entre si. Antes, os valores da De Beers estavam entre 5% e 50% acima do mercado, a depender da categoria das pedras, disseram essas fontes, que pediram anonimato por tratarem de informações privadas.
Um porta-voz da companhia se recusou a comentar.
Novo contrato comercial e redução de compradores
A venda de julho é a primeira sob um novo contrato comercial, no qual a De Beers reduziu o grupo de compradores selecionados a dedo, numa estratégia desenhada para direcionar mais pedras a seus clientes mais fortes. No início deste ano, a empresa informou a seus clientes, conhecidos como sightholders, que o número deles seria reduzido de cerca de 70 para algo entre 45 e 50.
A mudança comercial ocorre em meio a uma retração do consumo de luxo na China e ao avanço da popularidade dos diamantes sintéticos, fatores que ajudaram a alimentar uma das crises mais graves e prolongadas já enfrentadas pelo setor. A tentativa da De Beers de sustentar os preços também foi prejudicada por uma enxurrada de oferta de produtores como Angola, que vendeu volume recorde de pedras aos preços correntes de mercado. As tarifas dos Estados Unidos e o conflito no Oriente Médio aumentaram ainda mais a pressão.
Dificuldade em medir os cortes
A dimensão exata dos cortes não ficou clara de imediato. Neste ano, a De Beers adotou uma política de faturamento em linha única — em vez de informar o preço de cada caixa individual de diamantes, passou a cobrar um valor total único —, o que torna mais difícil medir os descontos. Além disso, a companhia alterou a composição de algumas caixas, dificultando comparações diretas, disseram as fontes.
O movimento ocorre em um momento de incerteza para a antiga monopolista. A Anglo American, controladora de longa data, está em estágio avançado no processo de venda do negócio, após anos de desempenho abaixo do esperado que desgastaram a paciência dos investidores.
Disputa pela compra da De Beers
Um consórcio liderado pelo ex-chefe da De Beers, Gareth Penny, aparece na frente na disputa pela compra da maior mineradora de diamantes do mundo, depois que a guerra com o Irã dificultou a atuação de outros interessados, informou a Bloomberg no mês passado. A proposta, apoiada por algumas das maiores tradings de diamantes do mundo, se baseia em recentrar a De Beers na mineração e na comercialização de diamantes naturais.



