Os preços do petróleo registraram pouca variação nesta segunda-feira, após a Opep+ concordar em aumentar novamente suas metas de produção a partir de agosto, enquanto as exportações dos principais produtores pelo Estreito de Ormuz seguem em recuperação, o que pode ampliar a oferta global.
Brent e WTI em leve baixa
Os contratos futuros do petróleo Brent recuavam 16 centavos, para US$ 71,96 por barril. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, era negociado a US$ 68,56 por barril, queda de 13 centavos. Não houve liquidação dos contratos do WTI na sexta-feira, já que os mercados norte-americanos permaneceram fechados antes do feriado do Dia da Independência, celebrado no sábado.
Ambos os contratos apresentaram pouca variação na semana passada, após uma trajetória predominantemente de queda nas últimas semanas. Os investidores acompanharam de perto as negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o futuro da navegação pelo Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que monitoravam a recuperação das exportações de petróleo da região do Golfo.
Opep+ eleva metas de produção
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, incluindo a Rússia, concordaram no domingo em elevar as metas de produção em mais 188 mil barris por dia a partir de agosto, somando-se aos aumentos já implementados em junho e julho. No entanto, esse aumento permaneceu em grande parte apenas no papel devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que interrompeu o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz para importantes produtores da Opep, como Arábia Saudita, Kuwait e Iraque, limitando sua capacidade de produção.
“Eles estão vendendo em um mercado em queda, o que oferece pouca esperança de uma recuperação dos preços no curto prazo”, afirmaram analistas da PVM em relatório. “Por outro lado, preços mais baixos do petróleo certamente estimularão a demanda mais adiante.”
Exportações do Golfo em recuperação
Dados mostraram que as exportações de petróleo do Golfo aumentaram mais de 3 milhões de barris em junho na comparação com maio, superando a marca de 10 milhões de barris por dia. Ainda assim, o volume permaneceu 40% abaixo dos níveis observados antes da guerra.
“Agora esperamos que a demanda global por petróleo recue 1,5 milhão de barris por dia em 2026, refletindo uma desaceleração mais acentuada do que o esperado no segundo trimestre, quando as quedas anuais podem atingir 4 milhões de barris por dia com base em dados preliminares”, afirmou o ANZ. “Entretanto, esperamos que as perdas de demanda diminuam no segundo semestre do ano, à medida que a oferta melhora e parte do consumo adiado seja retomada”, acrescentou o banco.
ADNOC vende com descontos e Rússia eleva embarques
A Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) vendeu cerca de 16 milhões de barris de petróleo dos Emirados Árabes Unidos com descontos mais amplos em uma quinta licitação no mercado à vista realizada desde junho, segundo fontes do setor. O movimento reforça a percepção de aumento da oferta disponível no mercado spot.
Além disso, os embarques de petróleo provenientes dos portos ocidentais da Rússia atingiram um recorde em junho e devem permanecer nesse patamar em julho. Fontes da indústria afirmam que os ataques de drones da Ucrânia danificaram refinarias russas, obrigando Moscou a elevar suas exportações de petróleo bruto.



