A equipe de análise do Goldman Sachs revisou para cima suas projeções para a produção de petróleo no Brasil, indicando que o país ganhará protagonismo no mercado global nos próximos anos. O banco destaca impactos positivos na balança comercial, nas contas públicas e nas empresas do setor.
Produção deve saltar para 4,8 milhões de barris por dia em 2028
O Goldman Sachs estima que a produção brasileira aumente de 3,8 milhões de barris por dia em 2025 para 4,8 milhões em 2028, impulsionada principalmente pelo desempenho da Petrobras (PETR3; PETR4). A produção da estatal deve superar em 11%, em média, o ponto médio do guidance entre 2026 e 2028. Com isso, o Brasil deverá responder por cerca de 4% da produção mundial de petróleo e por aproximadamente 20% do crescimento da oferta fora da Opep em 2027.
Exportações líquidas e impacto na balança comercial
Na avaliação do Goldman Sachs, a expansão da produção deve elevar as exportações líquidas de petróleo e derivados de US$ 28 bilhões em 2025 para US$ 47 bilhões em 2028, fortalecendo a balança comercial. O banco também projeta uma valorização de 5% a 6% do valor justo do real frente ao dólar, mantidos os demais fatores constantes.
Arrecadação do governo pode atingir R$ 277 bilhões em 2026
O banco projeta um aumento expressivo da arrecadação do governo com o setor. As receitas ligadas ao petróleo devem atingir R$ 277 bilhões em 2026, alta de R$ 85 bilhões em relação ao ano anterior, o equivalente a cerca de 10,6% do orçamento federal. Apesar disso, parte desse ganho será compensada pelo programa de subsídios aos combustíveis anunciado pelo governo, cujo custo fiscal é estimado em R$ 36 bilhões. Ainda assim, o saldo líquido positivo para as contas públicas seria de aproximadamente R$ 49 bilhões em 2026. Segundo o Goldman Sachs, essa receita extraordinária amplia a margem do governo para cumprir a meta de resultado primário sem a necessidade de cortes adicionais de gastos em um ano eleitoral.
Petrobras: recomendação de compra e dividendos elevados
No mercado de ações, o banco mantém recomendação de compra para Petrobras (PETR4), destacando a combinação entre crescimento da produção e retorno elevado aos acionistas, com dividend yield estimado em 18% para 2027, considerando o Brent a US$ 72 por barril. O banco trabalha com uma produção de petróleo cerca de 10% acima do guidance da companhia para 2026 e 2027, impulsionada pelo aumento gradual da produção das plataformas recentemente inauguradas e pela entrada em operação de diversas novas unidades ao longo do período.
O Goldman Sachs ressalta que suas estimativas não incorporam um eventual aumento da capacidade de produção das plataformas que começarão a produzir petróleo no próximo ano. “Essa possibilidade foi mencionada pela administração da Petrobras durante uma recente teleconferência de resultados e, se confirmada, poderá representar um potencial adicional de alta para suas projeções.”
Eleições podem ser catalisador para ações da Petrobras
O banco também destaca que as eleições presidenciais no Brasil, marcadas para outubro, podem funcionar como um catalisador para as ações da Petrobras, caso haja uma mudança para um governo considerado mais favorável ao mercado. Por outro lado, o Goldman Sachs alerta que um fortalecimento do real frente ao dólar pode representar um fator negativo para a Petrobras e para outras exportadoras brasileiras de petróleo, uma vez que a maior parte das receitas é denominada em dólar, enquanto uma parcela relevante dos custos está atrelada ao real.
Recomendações para Shell e Galp
O banco também segue com recomendação de compra para Shell e Galp, que devem se beneficiar da expansão da produção brasileira.



