Pasta de amendoim caseira vira indústria que exporta para 4 países
Pasta de amendoim caseira vira indústria e exporta para 4 países

Da cozinha ao mercado internacional

Em Peruíbe, litoral de São Paulo, uma pasta de amendoim feita na cozinha de casa transformou a vida de Juliana Maena e seus quatro filhos. Sem dinheiro para comprar o doce, ela criou a própria receita. Dez anos depois, a pasta se tornou um negócio: a La Ganexa, indústria que produz 10 toneladas por dia e exporta para Estados Unidos, Bolívia, Argentina e Paraguai.

“Era na cozinha que eu demonstrava carinho pela minha família. Eu nunca imaginei que aquele amor um dia se transformaria em um negócio e mudaria a nossa história”, diz Juliana.

Reconstrução após a perda

Em 2011, Juliana precisou reconstruir a vida da família após a morte do marido policial. Com quatro filhos, administrava as contas e os desejos dos adolescentes. “Chegamos a um ponto em que a gente revezava quem dizia não estar com fome para que os outros pudessem comer”, recorda.

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A pasta de amendoim, amada por todos, nem sempre estava na mesa. Uma briga entre os filhos por causa do doce motivou Juliana a agir. “Um de nós ganhou uma pasta de amendoim. O outro foi comer e começamos a brigar. Minha mãe descobriu que era por causa da pasta. Ela queria comprar, mas não tinha dinheiro”, conta Alline Souza, filha de Juliana.

Juliana juntou roupas, vendeu em um brechó por R$ 10, comprou um saco de amendoim cru e criou a receita no liquidificador. Além de preparar para os filhos, passou a vender para vizinhos. “A cozinha foi meu refúgio e nossa saída. Queimava liquidificadores, mas as pessoas compravam, gostavam e voltavam. Entendemos que aquilo poderia virar negócio”, afirma.

Fábrica em família

Em 2016, nasceu a La Ganexa. O nome homenageia Ganesha, divindade hindu da prosperidade, com “x” simbolizando multiplicação e “La” referindo-se à liderança de Juliana. Os filhos Allan, Allex, Alline e o cunhado Thiago Fernandes assumiram áreas como comercial, marketing, financeiro e administrativo.

A fábrica em Peruíbe recebe amendoim do interior de São Paulo, de Tupã e Martinópolis, em carretas de 24 toneladas. “Quando uma para na frente da fábrica, literalmente para a rua. Começou com um saquinho de amendoim e hoje recebo carretas”, emociona-se Juliana.

Produtos e certificação

Além da pasta de amendoim, a linha inclui suspiro, alfajor, panqueca, biscoito e doce de leite sem açúcar. A pasta ganhou sabores como avelã, caramelo com flor de sal, pistache, cookies e chocolate crocante. A campeã de vendas é a de leitinho, todas zero açúcar.

“Nossas pesquisas mostram um consumidor diverso: mulheres acima de 30 anos, mães, pessoas com diabetes e jovens atentos à alimentação”, explica Alline. A empresa possui certificação ABICAB, com exigências superiores às da Anvisa, essencial para o mercado norte-americano.

Exportação e planos

Os produtos chegam a Estados Unidos, Bolívia, Argentina e Paraguai. No Brasil, são vendidos por e-commerce e redes varejistas. “Um brasileiro na Flórida experimentou e quis levar. O selo ABICAB abriu as portas nos EUA; já enviamos rótulos em inglês”, conta Juliana.

A fábrica produz até 10 toneladas por dia, cerca de 1 mil potes por hora. Para o futuro, a marca planeja expandir a linha de alta confeitaria zero açúcar e estudar franquias. “Matéria-prima de qualidade, processo rigoroso e muito amor. Esse é um dos ingredientes no rótulo”, finaliza Juliana.

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