Capim-açu e moringa garantem nutrição de bovinos na seca em Roraima
Capim-açu e moringa nutrem bovinos na seca em Roraima

Com a previsão de redução no volume de chuvas e a chegada da estiagem em Roraima, os produtores rurais precisam se planejar para manter a produção. O manejo nutricional dos rebanhos exige cuidados diante da falta de água, tema destacado no programa Amazônia Agro deste domingo (5).

Alternativas forrageiras para o período seco

O zootecnista Jailson Lopes, responsável pelo setor de bovinocultura do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de Roraima (UFRR), explica as alternativas para a produção de silagem e a estocagem de alimentos. Uma das opções é o capim-açu, forrageira que oferece até 15% de proteína com técnicas de manejo adequadas. "Quando apresenta 120 dias de crescimento, pode ser utilizado para a silagem, porque contém volume de massa. Se eu colher dias antes, não vai ter o volume desejado", afirma o professor.

Moringa como complemento proteico

Outra alternativa em estudo no CCA é o uso da moringa. A planta complementa a dieta do rebanho e contribui com nutrientes na escassez de forragem. "O teor de proteína é a vantagem. As folhas contêm um teor de até 30% e é um alimento que pode substituir o farelo de soja na dieta do rebanho", destaca Lopes.

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Estocagem e planejamento

Além da produção de forrageiras, o especialista enfatiza a antecipação ao período seco com a estocagem de alimentos — silagem, feno e pré-secado — para garantir a alimentação nos meses de pastagem escassa. "É nessa época que o produtor deve fazer a estocagem. É preciso planejar com antecedência para adquirir os insumos e formular a dieta", completa.

Manejo térmico e saúde animal

A estiagem também eleva as temperaturas, exigindo medidas como oferecer sombra e água para reduzir o estresse térmico. O estresse reduz o consumo de alimento, compromete o ganho de peso e afeta a produtividade. "Ocorre um aumento na produção do hormônio cortisol. Com isso, o gado fica mais sujeito a doenças oportunistas", explica Lopes.

Calendário sanitário e redução de plantel

Sobre o calendário sanitário, Lopes orienta que não há um cronograma único para Roraima. A recomendação é monitorar doenças endêmicas para definir as vacinas anuais. Em algumas situações, o planejamento inclui a redução do número de animais para adequar a lotação à oferta de alimento. "O produtor pode se desfazer do excedente de gado que não precisa manter. É uma época em que reduzimos o plantel para diminuir a necessidade de fornecimento de alimentos", conclui.

Centro de Ciências Agrárias e formação de estudantes

O trabalho no CCA integra a formação de estudantes da UFRR, que participam do manejo diário do rebanho, cuidados com alimentação e sanidade, além de atividades de pesquisa e extensão. O setor recebe estagiários de diferentes cursos e instituições, proporcionando vivência na produção animal e aproximando os estudantes da realidade do campo.

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