Pai e filhas são investigados por tráfico internacional e lavagem de dinheiro
Pai e filhas são investigados por tráfico e lavagem

A Polícia Federal (PF) investiga uma organização criminosa liderada por Mario Sergio Nunes, conhecido como "Serjão do PCC", suspeita de tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro. O grupo utilizava compartimentos secretos em caminhões e carretas para transportar grandes carregamentos da droga entre estados brasileiros, com o objetivo de dificultar a fiscalização e evitar apreensões.

Esconderijos em caminhões

De acordo com a operação 'Mens Occulta', um dos principais esconderijos era na boleia dos caminhões. Em diferentes apreensões, os agentes encontraram cocaína em fundos falsos atrás do assento do motorista. Em Campo Grande (MS), 423 quilos de cocaína foram apreendidos em um compartimento desse tipo. A PF identificou um padrão operacional, com o mesmo tipo de esconderijo usado em vários carregamentos.

Os pneus também eram utilizados para ocultar a droga. Em março de 2024, um motorista foi preso em Jaraguari (MS) com 125 quilos de cocaína nos pneus de um caminhão. Em Água Clara (MS), 126,2 quilos de pasta base foram encontrados em pneus sobressalentes de um veículo ligado ao grupo. Em Uberaba (MG), 144 tabletes de cocaína estavam ocultos na cabine de um caminhão.

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Estrutura empresarial do crime

A investigação revelou que a organização mantinha uma estrutura empresarial para o tráfico, com caminhões, transportadoras, motoristas recrutados, contas bancárias de terceiros e empresas de fachada. O grupo usava laranjas para ocultar patrimônio e tinha uma rota de transporte conectando Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia a Minas Gerais. Uberlândia era o centro de recebimento, armazenamento e distribuição da droga.

Em cerca de um ano, nove apreensões ligadas ao grupo resultaram na retirada de mais de 2,2 toneladas de cocaína de circulação.

Movimentação financeira

A PF estima que o grupo movimentou R$ 70 milhões sem origem compatível nos últimos cinco anos. Durante a operação, foram apreendidos veículos importados, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais, um motorhome de R$ 1,2 milhão e um cavalo de competição avaliado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. Também foi localizado um flutuante motorizado atribuído à família Nunes. Os suspeitos mantinham um padrão de vida incompatível com a renda declarada.

Envolvidos

Mario Sergio Nunes liderava a organização, coordenando logística e finanças. Sua esposa, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, e as filhas, Bruna e Brenda Silva Nunes, são acusadas de movimentar recursos e ocultar patrimônio. Mario Sergio e Brenda foram presos em Uberaba; Bruna se entregou à PF. Maria Lourdetis não foi alvo de mandado de prisão. O ex-genro Rhanniery Nunes Graciano é apontado como laranja para ocultar bens.

Defesas

O advogado da família Nunes, José Carlos de Oliveira Campos, afirmou que ainda não teve acesso ao processo, que corre em sigilo, e que a família confia nas instituições. O advogado de Rhanniery, Sérgio Luiz da Silva, disse que acompanha os desdobramentos, mas não comentará aspectos específicos.

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