O autônomo Ygor Christian Felizardo, de 28 anos, confessou nesta quarta-feira (17) ter matado a facadas a sogra Leonice Aparecida Moscon, de 62 anos, em Sertãozinho (SP). Segundo o delegado Igor Dorsa, ao ser interrogado, o investigado deu detalhes do crime e alegou que agiu por acreditar que Leonice poderia abusar do filho dele, neto da vítima.
“Projetando esse futuro abuso, que não tem nada de concreto, pelo menos não foi coletado nada na investigação nesse sentido, ele então, dentro da cabeça dele, entendeu que era o caso de matar a sogra”, afirma.
A Polícia Civil deve pedir uma análise de sanidade mental do suspeito nos próximos dias. Ygor já tinha sido preso anteriormente ao ser acusado de tentativa de homicídio contra o padrasto, mas havia sido solto havia um mês depois que foi absolvido. Nessa ação que acabou encerrada, foram apresentados documentos médicos indicando que Ygor tinha transtornos mentais, segundo as autoridades ouvidas pela reportagem. “Vamos buscar esses elementos que atestam que o Ygor padecia desses problemas psiquiátricos e verificar se isso é uma realidade ou não”, afirmou Dorsa.
O crime em Sertãozinho
Leonice foi encontrada morta em casa na segunda-feira (15) no Jardim Vitória depois que uma das filhas, esposa de Ygor, desconfiou da falta de respostas para as tentativas de contato por telefone com ela. De acordo com Dorsa, informações preliminares do Instituto Médico Legal (IML) apontam que ela sofreu 38 golpes de faca, entre lesões profundas e superficiais.
Durante o atendimento da Polícia Militar no local dos fatos, Ygor Felizardo chegou a conceder uma entrevista a um grupo de jornalistas afirmando desconhecer o que havia acontecido e que tinha uma boa relação com a sogra. Momentos depois, ele foi levado pela PM ao ser preso em flagrante como principal suspeito pelo crime. Roupas dele com marcas de sangue, um ferimento sem cicatrização em uma das mãos e a falta de indícios de arrombamento na casa reforçaram as suspeitas contra o mecânico, que acabou preso preventivamente.
Investigação e motivação
O caso inicialmente é tratado como feminicídio pela Polícia Civil, que, apesar da confissão, continua analisando imagens de câmeras de segurança e outros elementos para confirmar a dinâmica do crime. A hipótese de motivação financeira também não foi descartada. Leonice havia contratado recentemente um empréstimo de R$ 13 mil.
Segundo o delegado, Ygor Felizardo relatou que, na data do crime, entrou na casa da sogra, pegou uma faca na cozinha e a chamou. Em seguida, ele foi até o quarto e iniciou o ataque. “Ele disse que teria sido o autor do delito, que entrou na casa da vítima, viu uma faca na pia da cozinha, pegou essa faca, chamou pela vítima, foi até o quarto dela e desferiu uma primeira facada no pescoço”, afirmou o delegado.
No relato, o investigado afirma que, quando Leonice caiu no chão, continuou com as agressões, colocou a vítima na cama e desferiu mais golpes de faca. O delegado afirma que, enquanto agia, Ygor disse que estava motivado por uma convicção de que deveria evitar um mal contra o filho, projetado por ele em Leonice. “Ele disse que essa vontade vinha muito forte dentro da cabeça dele de ceifar esse mal que o filho poderia sofrer e foi esse o contexto do interrogatório dele.”
De acordo com o delegado, antes do crime, Ygor tinha começado a considerar inadequadas as demonstrações de carinho e os presentes que Leonice dava ao neto e desenvolveu uma convicção, sem provas, de que a criança poderia ser vítima de abuso sexual. A Polícia Civil informa que não encontrou elementos que sustentem essa suspeita. “Não tem nada de concreto relacionado a isso. Pelo menos não foi coletado nada na investigação nesse sentido”, disse Dorsa.
Segundo o delegado, o suspeito afirmou que agiu para evitar que o filho sofresse algo semelhante ao que ele próprio acredita ter sofrido na infância por parte do padrasto. Nunca confirmados em investigações policiais, os supostos abusos do padrasto foram usados por Ygor para justificar a tentativa de homicídio pela qual ele foi acusado anteriormente. “Ele projetou na cabeça dele que aquilo seria um potencial abuso sexual e, em algum momento, o filho padeceria de algo que supostamente ele padeceu há algum tempo atrás”, explicou.
Família reage
Marilene Schiavinato, uma das filhas de Leonice, classificou como absurdas as alegações de Ygor. “É muito mais fácil ele abusar da minha mãe do que a minha mãe fazer qualquer coisa contra o filho dele. Até porque por inúmeras vezes a minha mãe comprou leite para o filho dele, a minha mãe comprou roupa de frio para o filho dele. A minha mãe seria incapaz de fazer uma atrocidade dessa”, disse.
A filha insiste que a motivação para o crime teria sido financeira, já que ela havia recebido R$ 13 mil de um empréstimo. “Ele tirou a vida da minha mãe por dinheiro, eu tenho certeza. Ele não vai falar que ele matou a minha mãe porque ele queria o dinheiro dela. Isso aí é uma desculpa que ele está dando.”



