Fábrica de lã de vidro encerra produção em Santo Amaro após acordo com MP
Fábrica encerra produção em Santo Amaro após acordo

A fábrica da Isover Saint-Gobain encerrou, na sexta-feira (4), a produção de lã de vidro na unidade de Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo. A paralisação das atividades industriais cumpre um acordo firmado entre a empresa e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), após anos de reclamações de moradores da região.

Histórico de reclamações

A unidade fabricava lã de vidro, material utilizado para isolamento térmico e acústico na construção civil. Durante décadas, vizinhos relataram a emissão de fumaça intensa, fuligem e forte odor vindos da chaminé da fábrica, além de ruídos, inclusive no período noturno. Segundo moradores da região, faz uma semana que a fumaça foi vista pela última vez saindo da chaminé. Desde então, eles afirmam que o odor e a fuligem que atingiam os imóveis vizinhos deixaram de ser percebidos.

"No dia 29 ainda foi bem crítico. A gente ficou com janelas fechadas, tudo fechado para não sentir o odor e não ter a fuligem dentro do apartamento", contou Lilian Lira, líder do movimento Respira Santo Amaro.

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Mudança para centro de distribuição

Com o encerramento da produção, o local passará a funcionar apenas como centro de distribuição do produto, segundo a empresa. Para moradores que conviviam com a atividade industrial havia décadas, a mudança representa o fim de uma longa disputa. "É um sentimento de alívio. Ainda mais para mim, que faço aniversário agora em julho, veio como um presente", afirmou Carolina Montes, também líder do movimento Respira Santo Amaro.

Acordo com o MP-SP

O encerramento da produção faz parte de um termo de ajustamento firmado entre a Isover Saint-Gobain e o Ministério Público no fim de 2025. Pelo cronograma estabelecido, a empresa deveria interromper a fabricação até 4 de julho deste ano. Em caso de descumprimento, estava prevista multa diária de R$ 10 mil. Além da paralisação das atividades industriais, o acordo prevê a adoção de medidas ambientais, como gestão de áreas contaminadas, tratamento de resíduos e destinação adequada de materiais industriais.

A fábrica era alvo de reclamações de moradores por causa da fumaça, da fuligem e também do barulho, inclusive durante a noite. O caso foi acompanhado pelo SP2 ao longo dos últimos anos. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) chegou a aplicar pelo menos três multas à empresa em razão dos problemas registrados.

Situação dos funcionários

A Isover Saint-Gobain informou que a unidade continuará operando como centro de distribuição da lã de vidro, mas não respondeu o que ocorreu com os cerca de 100 funcionários que trabalhavam na produção. Em nota, a empresa afirmou que "conduziu o processo de forma transparente, organizada e de acordo com a legislação, sempre comprometida em diminuir ao máximo o impacto para os funcionários".

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