Empresas de fachada em SP lavaram R$ 10 bi ligadas ao tráfico
Empresas de fachada em SP lavaram R$ 10 bi ligadas ao tráfico

Empresas sem funcionários registrados em São Paulo movimentaram R$ 10 bilhões em apenas quatro anos, segundo um relatório de inteligência financeira produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de combate à lavagem de dinheiro vinculado ao Banco Central. As empresas, que atuam nos setores de eletrônicos e tecnologia da informação, são alvo de sanções dos Estados Unidos e estão ligadas a uma quadrilha internacional de tráfico de drogas.

Investigação da Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange para desmantelar o esquema de lavagem de dinheiro, que tem conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As empresas investigadas não possuíam empregados formais, mas registravam movimentações financeiras vultosas, caracterizando indícios de lavagem de dinheiro. Entre os membros da organização criminosa estão Victor Shimada e Ygor Fokin Saviolli, apontados como operadores do esquema.

Detalhes do relatório do Coaf

O relatório do Coaf, obtido com exclusividade, detalha que as transações suspeitas ocorreram entre 2020 e 2024. As empresas de fachada emitiam notas fiscais falsas e realizavam operações cambiais para enviar recursos ao exterior, principalmente para países asiáticos. O volume de R$ 10 bilhões chamou a atenção das autoridades, que identificaram padrões atípicos, como a ausência de despesas operacionais e a incompatibilidade entre o faturamento e o porte das empresas.

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Sanções dos EUA e conexão internacional

As empresas foram sancionadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por envolvimento com o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. As sanções incluem o bloqueio de ativos e a proibição de transações com cidadãos americanos. A investigação brasileira corre em sigilo, mas a PF já cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.

Impacto e próximos passos

A movimentação financeira ilícita evidencia a sofisticação das organizações criminosas no uso de empresas de fachada para ocultar recursos. O Coaf e a PF continuam as investigações para identificar outros envolvidos e recuperar os ativos desviados. A operação Exchange representa um duro golpe contra o crime organizado, mas as autoridades alertam que o esquema pode ser ainda maior.

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