PF investiga empresa capixaba Blackbox por lavagem de dinheiro ligada ao PCC
Empresa capixaba é investigada por lavagem de dinheiro ao PCC

A Polícia Federal investiga o envolvimento da empresa capixaba Blackbox em um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Após a revelação, clubes de futebol do Espírito Santo anunciaram o encerramento de contratos de patrocínio com a companhia. O Rio Branco Atlético Clube, que havia firmado um dos acordos mais expressivos do futebol capixaba em 2025, com valor que poderia chegar a R$ 4 milhões, foi um dos primeiros a rescindir o contrato, que valeria até o final de 2026.

A Blackbox é apontada pela PF como integrante da estrutura financeira investigada na Operação Narco Fluxo, deflagrada em abril deste ano. A operação teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão e resultou na prisão do funkeiro MC Ryan SP. As investigações indicam que a Blackbox firmou contratos com uma empresa ligada a MC Ryan SP para ações publicitárias nas redes sociais. Para a PF, no entanto, os documentos serviriam apenas para dar aparência de legalidade às operações financeiras.

Detalhes da investigação

Os investigadores identificaram transferências de pelo menos R$ 1,3 milhão para contas pessoais do cantor entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025. Os proprietários da empresa capixaba foram identificados como Thadeu José Chagas Silveira e Renan Costa da Mata. A TV Gazeta tentou contato com representantes da Blackbox nesta quarta-feira (10), mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

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Criada em 2021, a Blackbox se apresenta como uma consultoria especializada em educação financeira, apostas esportivas e marketing digital. No entanto, de acordo com a PF, a empresa estaria sendo utilizada também para atividades ligadas ao mercado ilegal de apostas. Uma suspeita apurada é de que a empresa participava da criação e operação de robôs voltados à manipulação de apostas esportivas.

Parcerias com clubes capixabas

No Espírito Santo, a empresa ganhou espaço ao patrocinar alguns dos principais clubes do futebol local. O principal acordo foi firmado com o Rio Branco, mas a empresa também fechou contratos de patrocínio com Vitória Futebol Clube, Desportiva Ferroviária e Serra Futebol Clube.

O que dizem os clubes

  • Rio Branco: informou que realizou análise jurídica e documental da empresa antes da assinatura do contrato e afirmou que não havia informações públicas que desabonassem a patrocinadora naquele momento. O clube também informou que encerrou o vínculo com a Blackbox.
  • Vitória: afirmou que rescindiu o contrato após tomar conhecimento das investigações divulgadas pela imprensa.
  • Desportiva Ferroviária: informou que o patrocínio teve duração de três meses e já havia sido encerrado antes da divulgação do caso.
  • Serra Futebol Clube: disse que manteve contrato com a empresa apenas durante a disputa da Série B do Campeonato Capixaba de 2025 e que tomou conhecimento das investigações por meio da imprensa.

Operação Narco Fluxo

A primeira fase da Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 15 de abril com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar recursos ilícitos por meio de dinheiro em espécie, empresas de fachada e transações com criptoativos. Mais de 200 policiais federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária em oito estados e no Distrito Federal, incluindo o Espírito Santo.

Segundo a PF, o grupo utilizava mecanismos para ocultar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro. Durante a operação, foram apreendidos veículos, documentos, equipamentos eletrônicos e valores em espécie.

MC Ryan SP deixou a cadeia cerca de um mês após a operação, depois que a Justiça Federal concedeu habeas corpus ao cantor. Ao ser liberado, ele negou envolvimento nos crimes investigados, disse que pretendia "cuidar da família" e chegou a cantar uma música que faz referência ao período em que esteve preso. Além de MC Ryan SP, a operação também levou à prisão do cantor MC Poze do Rodo, do influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, de Chrys Dias e de outros produtores de conteúdo. Todos foram soltos posteriormente por decisão da Justiça.

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