Quase 30 mil pessoas já registraram o desejo de ser doador de órgãos pela internet no estado de São Paulo. A ferramenta Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), disponível em cartórios, tem facilitado a manifestação de vontade e contribuído para o aumento de doações.
Recusa em Sorocaba é quase metade da nacional
Em Sorocaba (SP), o índice de recusa familiar para doação de órgãos é de 25%, número bem inferior à média nacional, que chega a 45%. A enfermeira Cláudia Santos, coordenadora de captação de órgãos do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), atribui o resultado positivo ao trabalho de acolhimento realizado pela equipe. "Eu sempre digo para a família que vamos ter as piores conversas da vida deles, mas precisamos trazer a verdade. Nosso trabalho é baseado no acolhimento", afirma.
Famílias transformam dor em solidariedade
O gesto de doar órgãos ajudou famílias da região a lidar com a perda de jovens de forma transformadora. João Vitor, policial militar de 22 anos, morreu em um acidente de moto e teve todos os órgãos doados. Já Murilo, de 21 anos, morto em acidente de trânsito há nove anos, salvou oito vidas. "O que me conforta é pensar que oito famílias estão felizes e renascendo", destacou a mãe, Denise da Silva. Valéria Moraes, mãe de João Guilherme, de 14 anos, que morreu após uma crise de asma, diz: "É salvar vidas e ter um pedacinho dele em cada lugar. Ele é um herói".
Transplante transforma vida de jovem
Maria Fernanda Francisco, de 17 anos, passou por um transplante de coração aos 11 anos e reforça a necessidade de informar os parentes sobre o desejo de ser doador. Atualmente, cerca de 50 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil. No estado de São Paulo, o número de doadores cresceu 33% entre 2024 e 2025.
Como registrar a vontade de doar órgãos
Para facilitar o processo, os cartórios oferecem a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). O cadastro é gratuito e feito pela internet. Após preencher o formulário no site oficial, o cartório agenda uma videoconferência para validar a identidade. Em seguida, o documento é assinado digitalmente e fica disponível em uma central consultada por hospitais credenciados em caso de morte.



