A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o fezolinetanto, um medicamento não hormonal inédito para o tratamento de ondas de calor e suores noturnos associados à menopausa. Comercializado como Veoza pela Astellas Farma, o fármaco representa uma nova alternativa para mulheres que não podem ou não desejam utilizar a reposição hormonal tradicional.
Como funciona o fezolinetanto
O fezolinetanto atua no equilíbrio do hipotálamo, a região do cérebro responsável pela regulação da temperatura corporal. Diferentemente das terapias hormonais, que utilizam estrogênio, o medicamento age bloqueando um receptor específico (NK3R), reduzindo a frequência e a intensidade das ondas de calor e dos suores noturnos. Segundo a Astellas Farma, os ensaios clínicos demonstraram eficácia significativa na melhora da qualidade de vida das pacientes.
Base científica da aprovação
A aprovação da Anvisa baseia-se em estudos clínicos de fase 3 que comprovaram a segurança e a eficácia do fezolinetanto. Em um dos ensaios, publicado no periódico The Lancet, as participantes que receberam o medicamento apresentaram redução de até 60% na frequência das ondas de calor moderadas a graves, em comparação com o grupo placebo. Além disso, o perfil de segurança mostrou baixa incidência de efeitos colaterais, sendo os mais comuns leves e transitórios, como dor de cabeça e fadiga.
Impacto na saúde feminina
As ondas de calor são a principal queixa das mulheres na menopausa, afetando cerca de 80% delas. A condição pode impactar significativamente o sono, o humor e a produtividade. O fezolinetanto oferece uma opção para mulheres com contraindicações à terapia hormonal, como histórico de câncer de mama ou risco cardiovascular elevado. Estudos sugerem que o controle dos sintomas vasomotores pode reduzir riscos cardiovasculares e neurodegenerativos a longo prazo, embora mais pesquisas sejam necessárias.
Disponibilidade e perspectivas
O Veoza já está aprovado em outros países, como Estados Unidos e Japão. No Brasil, a Astellas Farma ainda não divulgou a data de lançamento nem o preço do medicamento. A expectativa é que ele esteja disponível nas farmácias nos próximos meses, após definição de precificação e distribuição. A Anvisa ressalta que o medicamento deve ser usado sob prescrição médica e que a reposição hormonal continua sendo a primeira linha de tratamento para a maioria das mulheres.



